I loves you, Porgy
(George and Ira Gershwin)
Nina Simone – vocals & piano
Paul Palmieri – guitar
Lisle Atkinson – bass
Warren Smith – percusion
Mantego Joe – conga drum
I loves you, Porgy
(George and Ira Gershwin)
Nina Simone – vocals & piano
Paul Palmieri – guitar
Lisle Atkinson – bass
Warren Smith – percusion
Mantego Joe – conga drum
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Eu não sou atual, não uso RSS, não acompanho notícias, não entro em debate: eu sinto. Eu sinto! Eu giro meu dial, meus cabelos eriçados são antenas de cobre, de ouro, de fogo: eu sinto! Mesmo quando eu me calo, mesmo quando você acha que eu só respiro e sobrevivo, eu sinto! E meu pensamento dança em versos, valsas, rimas, aliterações, meu coração rodopia livre, meu pulso ritmado. E você não escuta o sincopado da minha veia, você não sente minha febre: minha carne arde, minha alma anseia, minha língua estala. Em silencio, eu deliro; sem alarde, eu me incendeio e me refaço: fênix rediviva.
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Romério Rômulo
uns graus de febre eterna
avulsam meu corpo.
a vida hiberna.
eu, louco.uns graus de febre eterna,
estados do pulso.
a vida hiberna.
eu, avulso.a mão firme se enterra
no meu pescoço.
uns graus de febre eterna:
eu, osso.
renata:
a culpa é sua que veio me pressionar.
um beijooooooooo.
romério
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Agosto custou a chegar e este era o mês em que tudo se decidiria: eu, você, o cachorro que nós teríamos, um jantar em noite de lua cheia, noite fria de inverno, derretendo em nossa pele. Seríamos nós dois a nos desfazer do signo de inferno, nós dois a reinventar o mês — mês do cachorro novo.
Agosto e nossa rebeldia, agosto com gosto de cereja madura, agosto-doce, a gosto, a gozo. Agosto e a revolução do calendário: em agosto um reencontro, nós dois a celebrar um tempo que nasceu em estigma, nós dois a desafiar a vida; nós dois até sermos quatro: eu, você, o cachorro e o amor improvável.
Neste agosto que custou a chegar, sete foi o número mágico, que se multiplicou sete vezes por dia, em sete dias de espera, sete dias por semana; neste agosto faltou você e o inverno; neste oitavo mês, o calor ardeu como a sua ausência.
Agosto o mês em falta, agosto de espera, agosto árido, agosto-agonia, agosto para sempre, agosto nunca mais. Agosto foi também março, foi abril, maio e junho, agosto foi julho aglutinado — e setembro que se emenda: este é o ano de agosto, este é o ano do não.
E amarelou-se no armário o vestido de cetim e veludo que eu usaria para o encontrar, amarelaram meus dedos e meus olhos e minha esperança — e agosto não foi senão sinal de desgosto pintado de ocre em meu calendário.
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E se eu me perder e me deixar naufragar? E se eu me deixar dissolver na correnteza?
Mas, se me perco no deserto — se não tenho mar!, só o ar quente e parado, que estala nos ouvidos, me entala na garganta o suspiro.
Mas, se me perco e é só o mormaço do dia estéril.
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Álvaro de Campos
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo. Continuar Lendo »
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No more sorrow - Linkin Park
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quando você se levanta, respiro fundo e aprisiono seu cheiro, eu deito no seu lado da cama, para roubar seu calor que restou no lençol; quando você se levanta, e você sempre vai antes de mim, deixa para trás despojos e amor efêmero.
e leva consigo uns graus da minha febre eterna, que é para lhe revirar o corpo, para perturbar seu trajeto em fome, em desejo, em loucura. eu deixo ir na sua pele minha boca, minha língua e minhas pernas – que é para garantir a sua volta.
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Julio Cortázar
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Adélia Prado
Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.
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Saí para o pátio escuro, porque ouvi a garoa leve lamber a janela, saí ali ao lado da bananeira, meus dedos febris marcando o vidro frio da porta que se abre em assobio; e, ali, ao lado da bananeira que tanto me conforta, levantei o queixo e deixei a chuva gelada cair sobre meu rosto inflamado, deixei a chuva lavar meus olhos desertos, minha boca flácida. Ali, eu me despedi da bananeira, dos sonhos derramados, dos esforços vãos. Não, eu não vou em paz, eu vou com pressa, eu vou arrastando uns despojos da tormenta, eu vou atribulada, o sangue esparramando ansiedade pelos meus músculos. Não, você não entende o que eu escrevo; não, eu não escrevo para você: nem para mim. Eu escrevo para desafogar, eu escrevo quando a noite silente cala a chuva gelada e minha face arde. Isso é uma despedida e despedidas não fazem sentido. Nunca. E depois outra vida recomeça, a bananeira, as madrugadas insones, outras despedidas — tudo se aplaina, as cores esmaecidas pelo tempo: memória longínqua. Depois, o sentido pouco importa, o sentido se reverte, se inverte, se desmancha. E, talvez, o novo dia que amanhece venha colorir de esperança as horas. E depois…
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Detalhe de O Rapto de Proserpina, escultura de Gian Lorenzo Bernini
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Aniversário da Bibi hoje: 11 anos. Sempre um dia feliz e pleno para mim, não importa o resto… 8:20 PM May 4th from Tweetsville
O avesso, o coágulo – meu sangue azedo -, meus dias escuros, meu grito surdo, a noite muda – até isso!, até isso te dou. 11:21 PM May 4th from Tweetsville
Esse ar elétrico que antecede a tempestade tem nome? quero essa palavra, essa que descreve o instante anterior da tempestade. Alguém? 12:32 PM May 8th from TwitterFox
A mesma palavra servirá para descrever o momento infinitesimal em que meu coração falha uma batida e minha respiração se suspende… 8:50 PM May 8th from Tweetsville
Faminta, incansável, a ansiedade vem me mordendo o dia todo. 7:39 PM May 11th from Tweetsville
Os sons da rua vão mudando conforme a noite avança, minha casa um oásis de silêncio, a ansiedade descerra a mandíbula, o sono se insinua… 10:42 PM May 11th from Tweetsville
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Tenho essa mania de escutar obsessivamente uma música até me fundir com ela: notas, tremolos, sentimentos,versos, tudo difuso, puro sentido. 3:47 PM Apr 25th from Tweetsville
Manhã de sábado com canto de passarinhos: essa pausa na vida, a doçura melancólica — um suspiro. 9:02 AM May 2nd from Tweetsville
Gosto de alongar os minutos antes de dormir: o silêncio e os sons noturnos valsam, alternados; sono e sonho acariciam meu corpo e alma… 12:30 AM May 3rd from Tweetsville
Há um reencontro que se anuncia em mim, arrepio na pele, tremor na espinha: uma poesia me espera. 12:33 AM May 3rd from Tweetsville
Publicado em Cotidiano, Eu-mesma, Fênix | Tagged Twitter | 1 Comentário »
eu não quero ser uma escritora.
Eu simplesmente não consigo evitar.
Publicado em Cotidiano | Tagged Escrever | 6 Comentários »
Charles Bukowski
if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.there is no other way.
and there never was.
Publicado em Outros autores | Tagged Escrever | Deixar um comentário »
É verdade que o Twitter tem roubado um pouco das minhas palavras. Por questões de acessibilidade: à noite, quando eu paro tudo, à noite, quando o encontro comigo mesma é inevitável — fica fácil alcançar o telefone, digitar umas palavras e publicar. Facilidade que o WordPress ainda não tem.
Mais verdade ainda é que a poesia — aquela que foi ali na esquina comprar um cigarro — até agora não voltou. E de tanta saudade, eu quase invento sua presença, quase sinto seus dedos me acariciando; e de tanta saudade, eu quase, quase consigo tocá-la, eu quase escrevo.
Nada mais justo, então, que eu transcreva aqui um poucos dos meus tweets, nem que for para quase romper este meu quase silêncio.
Esses dias brancos são calmos, insuspeitamente belos, algo que eu não imaginava: a beleza sem cor. É que meu sangue não mais os tinge… about 16 hours ago from Tweetsville
O vermelho agora está no lugar certo: minhas veias, meu cabelo, meu desejo. about 16 hours ago from Tweetsville
Esmaecidos e distantes os sons da minha vizinhança que tanto me confortam: gritaria, balbúrdia, buzinaço, fogos… about 13 hours ago from Tweetsville
…Esse rebuliço atravessa a noite, perturba meu momento, tão íntimo, tão necessário: eu comigo, eu e meus pensamentos, eu e quase a poesia. about 13 hours ago from Tweetsville
Publicado em Cotidiano, Eu-mesma, Fênix | Tagged Escrever, Twitter | 7 Comentários »
Muse – live at Wembley Stadium (2007)
Dodó: Knights of Cydonia
Bibi: Supermassive Black Hole
Publicado em Música, Vídeos | Tagged Muse | Deixar um comentário »
sei que parece silêncio, mas é rebuliço, entranhas retorcidas; é meu sangue azedo, coagulado, é minha veia contraída, pronta para o grito – mesmo quando minha boca se estreita; parece sereno este ar parado, parece calmaria, mas veja!, é elétrico, carregado, anunciado de tempestade; sei que parece pouco, que parece nada, mas é meu corpo do avesso, é meu corpo incendiado, meu corpo em cinzas, é meu luto – mesmo quando meus dedos se calam, mesmo na noite seca e muda -, é o prenúncio e o fim, é minha morte e meu renascimento.
Publicado em Fênix, Prosa | Tagged Fênix, Renascimento | 5 Comentários »
Herbert Von Karajan e Orquestra Sinfônica de Berlin
2° Movimento – Andante em F maior
Publicado em Música, Vídeos | 1 Comentário »
Hilda Hilst
O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor dobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome.
Publicado em Outros autores | Tagged Hilda Hilst | 1 Comentário »
qual a sua mentira?
a de hoje, não –
mas aquela necessária
pílula diária
mentira travestida
de sonho e ilusão
Publicado em Cotidiano, Verso | Tagged Imaginário, Sonho | 5 Comentários »
Beatriz Nassif
V iajo à procura de amor
I ndependente de o achar
D ia de namorar à luz do luar
A procura de ti, uma beleza como a flor
Publicado em Outros autores | Tagged Acróstico, Bibi | 3 Comentários »
de tão perto e por tanto
que agora vivo em flerte
- encantados eu e ele
e não sei do meu desejo:
se é abismo, se é espelho
Publicado em Verso | Tagged Desencontro, Encontro, Sonho | 10 Comentários »
Hilda Hilst
Se chegarem as gentes, diga que vivo o meu avesso.
Que há um vivaz escarlate
Sobre o peito de antes palidez, e linhos faiscantes
Sobre as magras ancas, e inquietantes cardumes
Sobre os pés. Que a boca não se vê, nem se ouve a palavraMas há fonemas sílabas sufixos diagramas
Contornando o meu quarto de fundo sem começo.
Que a mulher parecia adequada numa noite de antes
E amanheceu como se vivesse sob as águas. Crispada.
Flutissonante.Diga-lhes principalmente
Que há um oco fulgente num todo escancarado.
E um negrume de traço nas paredes de cal
Onde a mulher-avesso se meteu.Que ela não está neste domingo à tarde, apropriada.
E que tomou algália
E gritou às galinhas que falou com Deus.
Publicado em Outros autores | 5 Comentários »
Quem tem visita assim, ah!, pode até ser abandonada pela poesia que não fica órfã…
Publicado em Fênix | 6 Comentários »
Corre a ruiva pelo prado
em busca do verso exato
de linha régua e compasso
Perseguida pelo coelho
alvissareiro interessado
em seu fogo ligeiro seu
círculo vermelhoAparece o unicórnio
azul como o mar a árvore o mel
Observa a cena, enamorado:
nem círculo nem linha mas
triângulo, do qual a minha
crina é cateto principal
Publicado em Outros autores, Visitantes Poéticos | 3 Comentários »
Queria eu ajudar essa ruiva festeira
a achar o tal grande soneto esculpido,
para numa só rima acabar com o gemido
e dizer a ela: tu és a grande arteira!Afinal, apesar de eu sempre me enfeitar
nesses versos contados (por que não regrados?),
amoleço nas redondilhas a cantar
desse fogo ligeiro de amores alados.Só quero que me cantes belezas da vida,
me digas pra sair do ovo de coelho tonto,
e, assim, num grito de uma recém-nascidaMe faça ver que também eu, assim de pronto,
posso dizer das palavras as mais garridas
e esquecer que toda linha chega a um ponto.
Publicado em Outros autores, Visitantes Poéticos | 2 Comentários »
Faz quase um mês que não ando.
Meu tornozelo dói consideravelmente.
A insônia voltou e fez residência em mim.
A poesia foi embora, assim sem mais.
Publicado em Cotidiano, Eu-mesma | 9 Comentários »
quero a palavra certeira
o verso estampido
um tiro no peito
para morrer em rima
morrer em soneto
fatal redondilha
queimar até as cinzas
renascer do avesso
verde e dissolvida
em verso-recomeço
Publicado em Verso | Tagged Escrever, Fênix | 5 Comentários »
Publicado em Música, Vídeos | Tagged Audrey Hepburn | Deixar um comentário »
Caí da escada. Machuquei os ligamentos do tornozelo, quebrei o pé e a perna. Aiai, que saco. Agora tenho que ficar de repouso. Ficar de repouso é um sacooooooo. Sem andar por [edit]quarenta dias. QUAREEEENTA.
Renata says:
oieee
Luis says:
Fala, Pé na Cova
Luis says:
Marechal Deodoro da Fonseca
Luis says:
Sobre as Ondas
Renata says:
AHAHAHAHAH engraçadinho
Renata says:
a Marlene disse que me viu escorregando
Renata says:
vou colocar antiderrapante na escada
Luis says:
E mola na perna
Renata says:
haha engraçadinho
Fora a gozação
Publicado em Cotidiano, Diálogos, Eu-mesma | 8 Comentários »
Sinto saudade.
Arrumei um vidrinho de Rivotril – hoje estou decidida: vou dormir.
Com a boca embriagada pelas gotas mágicas, acridoces e quentes, as gotas da paz, é assim semi adormecida que te escrevo. É assim vulnerável que te procuro. Mesmo sabendo que talvez não ouças. Mesmo sabendo que, ouvindo, não entenderias.
Porque preciso que a vida faça algum sentido — não precisa ter coerência; não!, não é este sentido banal, ordinário, não: acho que deveria ser caótico, talvez uma ventania inesperada; qualquer coisa que me surpreenda, qualquer coisa que me desperte dessa insônia entorpecente.
Meu eu razoável se mistura aos meus anseios: não sei quem fala, talvez todas as minhas personagens, depois eu, então todos os quereres.
Talvez a balbúrdia da feira de vozes seja minha palavra mais verdadeira.
Publicado em Fênix, Prosa | Tagged Escrever, Imaginário, Insônia, Solidão, Sonho | 7 Comentários »
Olho bem para a palavra que não escrevo — ela desvia os olhos lentamente e se cala. Com uma preguiça de mim…
Publicado em Eu-mesma | 4 Comentários »
tem isso de estar sozinha na chuva de verão, na chuva contínua, na falta continuada, na continuação da saudade. tem isso de ficar em silêncio até imaginar que dedos rasgam a parede, vermelho tingindo o branco, o gesso, o teto. também tem aqueles momentos ocupados, dias populados, que é para esquecer de todo o resto, da noite insone, dos pensamentos atormentados, da cama vazia, dos braços em arco — vazios. depois, tem a carta que não escrevo, um livro que nunca acaba, aquele filme interrompido no meio da cena de amor, tem a música que me assombra, que se repete, hipnótica, em minha cabeça, no silêncio das madrugadas em que todos dormem, quando meus olhos pairam, espectrais, dois buracos cavados no meu rosto pálido. então, tem aquela hora em que eu quase consigo dormir, mas desperto de repente porque ouço você chegar, a chave na porta, seus passos… e então abro os olhos e é nada, é só eu sozinha na chuva de verão, na casa vazia, eu com os braços de abraço, à espera.
Publicado em Prosa | Tagged Separação, Imaginário, Insônia, Saudade, Solidão, Sonho, Desilusão, Desencontro | 2 Comentários »
Paulo Bonfim
O livro que hoje escrevo foi escrito
Em outro plano estático e diverso,
Sei que morro no fim de cada verso
E renasço no início de outro mito.Em cada letra tinta de infinito
Há um diálogo mudo que converso
Com nebulosas do meu universo
Onde nasceu a página que dito.Sei que sou neste instante o que já fui,
E aquilo que recebo agora flui
De um campo superior onde me deito.Durmo além, nessa plaga que recordo:
Só escrevo neste plano onde hoje acordo,
Aquilo que ainda sonho no outro leito.
Publicado em Outros autores | Tagged Paulo Bonfim | 2 Comentários »