Os habitantes
9, Maio, 2008 de Fênix
tenho certeza de que a clarice foi habitada por um cavalo selvagem.
minha imagem é de um cão perdido. nem mais, nem menos. nunca me vi capaz de conter anjos, sequer tortos. que me desculpe o drummond : sou “gauche” vital. sem comunicação.
há umas profundezas que namoro numa paixão incontida.
Romério Rômulo
Anjos?
Tenho é uma fera que me rasga o peito de dentro para fora.
Cansada da minha monstruosidade, ela me devora e me devolve, dilacerada e semi-digerida: não quer a carne, mas a destruição. Tenho que me haver com meu corpo semi-deglutido e deformado - refeito e reformado pela fera, seus dentes e garras vorazes.
É a selvageria que me mantém viva e quente.
Sem esta “fera” não haveria poetas, com certeza.
Beijo grande!
RENATA: Lu, querida, sem a “fera” a vida seria um tédio! Beijoooooo
Querida Renata
Acordei longe de mim, afastado do mundo, perto de ti
Preso a uma teia que não a da minha vida
A batalha que ninguém vitoriou
E levava por vencida
Traído por olhos guerreiros
Desafiando o amor
Como raios de sol reflexos em diamante
Tão cintilante como a minha dor
Apenas o seu sorriso como amante
Não atentava ao meu pudor
Feliz por ser eu a chorar
Não que goste, mas sim por amar
Nunca ver o seu rosto em lágrimas
Para que a vida não seja algo em vão
Vou mergulhar e afogar-me
Nos seus olhos de fervilhante paixão
Beber todos os seus desesperos
Os infinitos oceanos de medos
Ter este espírito seco para reter
O que o amor não pode conter
Senti-me assim mais perto de mim
Senti o mundo, senti-te a ti!
Olhei e uma lágrima deslizava-te pelo coração
Despertei de verdade, angustiado com a razão
RENATA: Mário, você está a todo vapor, hein? A fera poética está preguiçosa dentro de mim, acho que foi hibernar um pouco, dias de frio e ela se aquietou…
Gostei disso:
Ter este espírito seco para reter
O que o amor não pode conter