Por um pedaço de terra
13, Maio, 2008 de Fênix
Traiçoeira, a vida retalha meu abdomem - minhas entranhas saltam. Estou nua. Minhas mãos jazem inúteis e imóveis ante às desencontradas informações que meu cérebro emite. Pavor, espanto, medo e eu quedo inerte, quase desfalecida pela descoberta que nem deveria me ser novidade. Lágrimas, ah… lágrimas difíceis rolam, ácidas, queimando a pele do meu rosto.
Minhas mãos se movem lentamente, agarrando os cacos do meu corpo, que se espalham por todas as direções. Sem saber a qual lado acudir primeiro, continuo com meus olhos chocados, enquanto estes dedos se cortam nos pontiagudos estilhaços que antes constituiam aquilo que eu chamava de “eu”. Aperto os afiados fragmentos e já pouco importa o quanto eles ferem - ou a veia que jorra e se mistura ao sangue avinagrado que pinta todo este medonho cenário.
Ah, que eu sabia das lascas e pedaços de mim, mas eu os acreditava cosidos! Ah, e todos os mecanismos de compensação que eu criei para regular este maldito e disforme amontoado de enxertos perturbados! E tudo o que eu usei para apaziguar o que era um violento conflito entre estes vários mortos que inconsequentemente reuni, formando este aglomerado descuidado a que eu tenho a infâmia de chamar de corpo.
“Hora de prosseguir, Fênix”??
Com o quê? Com quais pedaços devo seguir? Com quais mãos devo contar?
Como cadáver, com o direito que me confere esta nova morte, venho clamar e pedir pelo meu pedaço de terra. Que eu tenha descanso e silêncio sob meus sete palmos, que eu os mereço. Para que, no escuro e na quietude, eu possa me reconstruir, usar minhas cinzas e deixar a terra absorver os pedaços e os restos que eu não preciso ou não devo mais carregar no meu novo corpo.
Ai!
Texto forte demais…
Nem sei o que pensar….