Fênix em Verso e Prosa

Pássaro-rei

inventei que me acompanham
pássaros negros e brilhantes
um deles tem círculos
rubro ouro reluzentes
que em seus olhos fulguram
abrasados e penetrantes

tão reais que ouço o barulho
do passaredo em revoada
tão agudos, presentes
que no Sul ouviram
alto e claro
o som das suas asas

de todos, o que temo
é o altivo soberano
das retinas incendiadas
conduzindo o bando
brandindo o cetro fúlgido
esquivo e silente

em pálido sussurro
eu clamo
talvez seu canto
chegue ao teu ouvido
talvez ouças o chamado

mas permanecem cerrados
os brilhantes bicos
mudos como meus lamentos

eu sofro no escuro
eu sofro o ausente

Arquivado como:Dos pássaros, Verso

4 Responses

  1. Maína disse:

    Bonito isso.
    Teremos um bocado de assunto…

  2. Fênix disse:

    ôbaaa!
    :D

  3. “eu sofro no escuro,eu sofro o ausente
    que é a forma de sofrer por certa gente

    eu sofro nas entranhas,eu sofro nos vazios
    que é a forma de rasgar todos os rios

    eu sofro pela luz,eu sofro pela treva
    que é a forma de tratar todo o leva-

    do corpo,a ânsia toda,a imensidão
    que é a forma de varrer a podridão.

    “eu sofro no escuro,eu sofro o ausente
    de repente,não mais que de repente.”

    renata: misturei você com o vinicius.romério

  4. [...] Junho, 2008 renata: misturei você com o [...]

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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