Porque é o mesmo traço que desenha a imagem e a palavra.
Para vocês, o primeiro trabalho de uma série que começa a se formar a partir da parceria entre eu e a Maína Junqueira. Ela risca a imagem, eu rabisco a palavra.
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Nas tuas mãos desenha-se o meu destino, traçado em crayon cor de flama poente, as montanhas e o mar; sinuosa estrada em púrpura incendiada, convergentes o Nunca Mais e o Sempre. Teu nome espalmado em tinta rubra, signo abrasado nos meus dedos em doce absinto, vertiginosa curva, tua letra arredondada na minha luva de pétalas. Umas castanholas pulsam o canto da terra salgada, eu te chamo: vem ver tua fortuna, vem ver teu caminho que se desdobra em som e cor, vem ver o que pintei no muro — aquele que atravessa meus dias, pétreo Não; eu fiz da sua recusa um painel amarelo de ouro, prata cintilante e os tons do meu querer ali revelados; vem ver o que tracei nas linhas da minha mão: tua presença inventada e as noites que nunca vivemos, agora recriadas em giz e iluminadas em verso. E é como se tuas mãos já tão distantes não se tivessem separado das minhas, e é como se as minhas não fossem estas que escrevem tua ausência, a obliteração dos meus dias, o céu tingido de ocre-sangue seco e dormido, aquela nódoa parda que um dia foi vida, que um dia foi vermelho vibrante e fomos nós.

Maína Junqueira
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Não sei como ir ao teu encontro e preciso tanto. O verão impiedoso, o ar pesado e úmido, eu sufoco sem ter como fugir da esperança. “Estou com saudade”, disseste. E mais uma vez, apesar do meu silêncio. E de novo.
Caminhei diretamente para o fogo. E de pés nus. Ah… de corpo nu! Por nós, derradeira e improvável ilusão brotou em mim; não pensei e fui. Eu fui e fui, até o limite. E depois dele. E além. Não foste comigo, não fizemos juntos a jornada. Talvez por isso que tudo ainda tenha ficado inacabado para ti.
Mas, não posso te encontrar – porque eu sei que teus olhos arderão e não hei de resistir às tuas mãos quentes. E é no teu corpo que novamente me perderei, arrebentando os limites que hoje me sustentam.
Mas, se tuas mãos não me procurarem, será aterrador, será como o final da estrada que, abruptamente, acaba no despenhadeiro.
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Quem falou