Fênix em Verso e Prosa

Aliança

Escreveste meu nome
Sobre a água?
A fogo, na alma
Desenhei o teu.

Grafismo iluminado
Imantado e novo

Teu nome e o meu.

Novo
Porque nunca se viu
Nome tão pertencido
Antigo porque há milênios
Se entrelaçaram justos
No infinito

E raro
Porque tingido de um mosaico vivo
De danação e amor.

Teu nome.
Irmão do meu.

Hilda Hilst

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(In)quieta

da urgência de escrever:

é fácil e bênção e é custoso,
é frustrante, é suspiro e então
o jorro certeiro e o gozo

é a árdua construção
da ponte para o abismo
é encarar o selvagem olho
– meu cerne desconhecido
e monstruoso

na ponte estabelecida
vou por ora submersa
pela voragem, o vagalhão
de voz, idéia, palavra
em violência tamanha
profusão que me cala
torrente que me estanca

silenciada poeta

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Cantos

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

Manoel de Barros

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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