Ouça Everybody’s changing, com Keane
Para a Dodó, que adora esta música
11, Junho, 2008 • 4:47 pm 3
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Que não se leve a sério este poema
Porque não fala do amor, fala da pena.
E nele se percebe o meu cansaço
Restos de um mar antigo e de sargaço.
Difícil dizer amor quando se ama
E na memória aprisionar o instante.
Difícil tirar os olhos de uma chama
E de repente sabê-los na constante
E mesma e igual procura. E de repente
Esquecidos de tudo que já viram
Sonharem que são olhos inocentes.
Ah, o mundo que os meus olhos assistiram…
Na noite com espanto eles se abriram.
Na noite se fecharam, de repente.
Hilda Hilst
*R. M. Rilke
Arquivado como:Outros autores , Hilda Hilst
• 12:30 am 2
a poesia é conquista
o avesso do jorro
gotejamento de sangue
pus e lágrima
o pulso estanque
a vida concentrada
que pinga e se alastra
inevitável, necessária
espantosa
é minha ave escura
companheira de todas horas
mesmo quando se cala
ou porque sempre se cala
a poesia é o pássaro rei
onipresente, o meu duplo
de olhos chamejantes
que a noite transpassa
e o sonho alarga
é meu oposto obscuro
meu gêmeo cintilante
é vertigem, abraço e luta
Arquivado como:Dos pássaros, Verso , Escrever
• 12:22 am 4
• 12:20 am 3
De delicadezas me construo. Trabalho umas rendas
Uma casa de seda para uns olhos duros.
Pudesse livrar-me da maior espiral
Que me circunda e onde sem querer me reconstruo!
Livrar-me de todo olhar que, quando espreita, sofre
O grande desconforto de ver além dos outros.
Tenho tido esse olhar. E uma treva de dor
Perpetuamente.
Do êxodo dos pássaros, do mais triste dos cães,
De uns rios pequenos morrendo sobre um leito exausto.
Livrar-me de mim mesma. E que para mim construam
Aquelas delicadezas, umas rendas, uma casa de seda
Para meus olhos duros.
Hilda Hilst
(descobri este hoje, minha ídola falando de espirais e pássaros em êxodo…)
Arquivado como:Outros autores , Hilda Hilst
Quem falou