13, Junho, 2008 • 12:00 pm
A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas; nas ruas de subúrbio, nas casas de jogo, nos prostíbulos, nos colégios, nas ruínas, nos namoros de esquina. Disso quis eu fazer a minha poesia, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz.
Ferreira Gullar
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A criação literária. E o escritor que pode ser louco mas não enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desviá-lo da sua loucura. O escritor que pode ser corrompido mas não corrompe. Que pode ser solitário e triste mas ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão.
Lygia Fagundes Telles
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Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
Mario Quintana
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Acho que se deve aproximar com cuidado de jovens escritores, escritores jovens são sempre portadores de sonhos. Tudo bem que um dia vão cair na real, mas quando muito podemos dizer a eles: aventurem-se diante de uma folha em branco, façam o que lhes der na telha, estamos torcendo por vocês, mas não lhes propor uma camisa-de-força. Nada contra quem inventa sua própria camisa-de-força, só acho uma impertinência propor a terceiros a mesma indumentária. Literatura é coisa muito pessoal. Infelizmente são poucos os jovens que se atrevem a isso, mas com folha de teoria a gente faz uma bolinha e manda longe com um piparote.
Raduan Nassar
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Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
- Não quero saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
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Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi
Oswald de Andrade
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Quem falou