Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Ferreira Gullar

Querida Renata
Como nossa incapacidade
Se torna capaz ?
Como nós que somos
Seres ( in ) racionais
De uma hora para outra
Podemos transformar ?
Como interpretar
O certo e o errado
Sem poder visualisar
O desconhecido ?
Outro dia Tu estava
Em conflito com Deus
Eu estou em conflito
Todos os dias.
Pois nos apresenta
O desconhecido
Mas nos nega
O entendimento ???
Pura magia, magnífico….
renata:este poema do gullar é o topo.um beijo.
romério
RR, o SS,
é o topo, sim.
Neste processo de alimentar seu blog, estou emaranhada nos seus poemas, também.