Fênix em Verso e Prosa

My heart knows me better than I know myself

Ouça Black horse & cherry trees, com K T Tunstall, no Jools Holland Show

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How long do I have to wait for you

Ouça com Sharon Jones & The Dap-Kings

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Now all I feel is joy

Ouça Finally made me happy, com Macy Gray e participação de Natalie Cole





Bet you thought I died when you went away,
Thought I’d get drunk in my sorrows and just drift away,
But things has changed from back in the day, beggin’ you to stay,
Now I can’t wait to see you back and see you leavin’ today.

Baby, you finally made me happy,
When you walked out that door

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Desencontrários

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

Paulo Leminski

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Northern soul

Ouça A love reputation, com Denise LaSalle

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Delirium

Inventei de ser escritora para prolongar o sonho, para livrar-me da infância, quando ansiava que aqueles pais desejados me encontrassem; meus olhos gigantes na escuridão sob a escada rangente, esperando, esperando – como espero até hoje tua chegada. Ontem, pensei em inventar uma personagem que gostasse de lagatixas e chorasse livremente, amiga do escuro e das noites estreladas. Hoje a falta de sono me devolve ao tempo em que não dormia para sonhar com o que depois aprendi duramente: nunca virá. Acordada, outra vez eu fiz planos, contei carneiros, eu tentei a tua presença, mas nunca me vens enquanto não se fecham meus olhos. Então, tentei pela caneta contrapôr o mundo silencioso – ah, que até a palavra se nega!, corro a caneta, rabisco, é o sussurro dela no papel, áspera e difícil, o sussurro, o sussuro, o sussurro, grito insone atravessando a madrugada, esta madrugada-falta, mão infiel, dedos de recusa rasgando a noite, a madrugada e meu corpo retorcido e salgado. Eu me calo. Eu me calo e espero. Espero pelos pais, imóvel, até a descoberta me resgatar do mutismo e do desamor. Espero por ti. A cada silêncio que me imponho, cresce a distância entre eu e minha boca, alonga-se a ponte até o abismo que me contém. Quanto mais procuro pela descoberta e pelo aceite, quanto mais escondo o pútrido e o feio – ah, inalcançável também se torna o doce miolo escavado das minhas entranhas, o figo rubro, cerne doce e macio que espera por se ofertar. Tu me adivinharias como faria a mãe que não tive, teu amor seria o prenúncio de um lar, com bolo de mel e leite morno nas manhãs – ah!, quero o reencontro de quem nunca… ah!

Que eu te procuro como antes buscava pai e mãe.

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Pedido

Revolução? Mudança? O que eu quero deveras, com toda intimidade da minha alma, é que cessem as nuvens átonas que ensaboam cinzentamente o céu; o que eu quero é ver o azul começar a surgir de entre elas, verdade esta certa e clara.

Fernando Pessoa

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Primavera

Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores. Read the rest of this entry »

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

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