No caderno Link, do Estadão, o Ministro da Cultura Gilberto Gil se apresentou como um hacker.
Pois vou contar uma dele.
Doze anos atrás a UOL engatinhava. Tinha poucas salas de bate-papo, sem filtro contra hackers. Mas já começavam as experiências com a nova mídia. Uma delas eram as entrevistas com personalidades, através de salas especialmente abertas.
Certo dia me ligaram da UOL perguntando se não poderia ciceronar o Gilberto Gil, que seria entrevistado. Papel simples. Bastaria receber o entrevistado, fazer sala e acudi-lo em qualquer problema que enfrentasse.
Como não? Com todo prazer.
Dia marcado, entro na sala – apinhada de rapaziada. Falo alô e fico aguardando o mestre. Ele diz alô e… e… e nada. Caiu e nunca mais voltou, pelo menos para aquela sala. Fiquei uma hora toureando a moçada enquanto aguardava a volta de Gil.
Anos depois, muitos anos depois, é detido pela polícia aquele hacker famoso, adolescente. O delegado foi muito legal não divulgando seu nome real, sabendo que só aprontava molecagens.
Estou lendo a notícia quando chega a Ruiva e me diz: “Prenderam meu amigo”. Qual amigo? O hacker xis. Como assim? Lembra das salas da UOL, me disse ela. Pois todos aqueles problemas que havia, de usuários derrubados, de salas caindo, era ele quem aprontava.
Um dia ela entrou no reservado do super-hacker, jogou uma conversa nele e ficaram amigos. Ele lhe ensinou a aprontar.
Pergunto candidamente qual foi a maior aprontada que armaram. E ela me conta que foi em uma entrevista do Gilberto Gil. Ela entrou na sala com o hacker e perguntou pelo reservado: quem nós vamos derrubar? E ele: experimente o entrevistado.
Ainda arrisquei: você nem reparou no jornalista que colocaram lá para fazer sala para o entrevistado? E ela: Não, quem era?
Casei com uma hacker e só soube depois.
Quem falou