Explico:
Romério, a secura está brava, colega blogueiro. É o cangaço poético instaurado em minha alma.
Ele responde, em jorro certeiro:
olha um verso:
“o cangaço poético na alma
uma secura da mais pura sede
a rede que me emperra, minha rede
de debandar na noite, pura calma.”acabei de fazer. e o primeiro verso é seu. tirei do seu comentário.
se você continuar me entregando estes versos, fazemos mais um blog.
Devolvo:
meu cangaço é a claridade escaldante do dia árido e imóvel e, sob a terra estalada, se adivinha um tumulto, voragem-vácuo: é a falta que vai implodir e tragar estes ásperos grãos, é a sede furiosa da poesia descalavrada.

renata:
não sou o zé limeira,embora quisesse.mas,vamos lá.
“em meu cangaço,todo o meu tumulto/
traga uns grãos,poesia furiosa/
dentro de mim.falada em verso e prosa/
a solidão que me alarga o vulto.”
“quero saber o quanto sou distante/
de mim , da ilha ,do polo.poesia
que bate furiosa pela mão errante/
a me mostrar aquilo que eu não via.”
e vai.
romério
“Não se deve estar nunca satisfeito com o que se faz. Nunca está tão bom quanto seria possível. Sempre sonhe e mire acima daquilo que você sabe que pode fazer. Não se preocupe apenas em ser melhor que os seus contemporâneos ou predecessores. Tente ser melhor do que você mesmo. Um artista é uma criatura arrastada por demônios. Não sabe por que o escolheram e normalmente está ocupado demais para se perguntar isso. É totalmente amoral, pois irá roubar, mendigar, pedir emprestado ou furtar de quem quer que seja para ver seu trabalho realizado (…) A única responsabilidade do escritor é para com sua arte. Será inteiramente desapiedado se for um bom escritor. Tem um sonho. Isso o angustia tanto que ele tem que se livrar dele. Não tem paz até então. O resto vai por água abaixo: honra, orgulho, decência, segurança, felicidade, tudo, para que o livro seja escrito. Se um escritor tiver que roubar a sua mãe, não hesitará; a ‘Ode a uma urna grega’ (de John Keats, 1795-1821) vale mais do que qualquer punhado de velhas”.
William Faulkner, em entrevista à revista “Paris Review”, 1956.