Eu decidi que faria um livro com a Maína antes sequer que nos conhecêssemos pessoalmente. Assim, não foi bem um convite que ela recebeu em seu e-mail, foi quase um informe. Ela aceitou. Outro dia disse que a viagem era intensa, que tinha medo, mas que estava indo.
Desde o Ventura que vocês não têm mais notícias da nossa parceria. O trabalho é difícil, é viagem tumultuada rumo ao desconhecido de nós mesmas. Resolvi, então, contar um pouco dos bastidores.
Ela diz que ainda está com a “mão dura”, pois há pouco que voltou a desenhar. E há o pão nosso de cada dia, que é preciso garantir. A inspiração às vezes tem que vir com hora marcada, às vezes atropela tudo.
Eu já passei por várias fases — e volto agora do cangaço poético, tempo brabo de aridez, veia seca, jorro estancado. E foi graças ao Romério, grande poeta e agora amigo, mas esta é história para outra postagem.
Foi Romério, também, quem me disse que até do avesso se escreve; ensinamento que hoje transmiti à Maína. Se há o cangaço, verseje sobre a secura, ele falou. Obedeci.
Não pedi autorização à ela, apesar do pudor com que trata seus desenhos. Sei que ela está triste, frustrada – é aquele sentimento que todos conhecemos, que me faria rabiscar com força de rasgar o papel, se escrevesse com caneta e bloquinho.
Publico aqui a imagem definitiva da frustração: um monstro plúmbeo, gordo, feio e inevitável, sentado na minha sala. E na sala dela. Na sua também.
“Fracasso” de Maína Junqueira
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