Hoje eu vi.
Como se fosse súbita a compreensão.
Foi um desenho da Maína que se fez verdade para mim, que fez sentido naquele instante; foi com suas linhas e suas cores que ela adivinhou o que me viria a acontecer agora. E foi com a minha palavra-verso que ela entendeu o seu próprio traço-premonitório — e foi com minha escrita que ela viu. Como se fosse súbita a compreensão.
Mais tarde, conversamos. Amadureço seus desenhos por um tempo, expliquei, eles ficam em mim, latejantes e silenciosos. Eu matuto também os seus escritos, ela respondeu.
Como o quartinho de bananas do meu avô, que me surgiu vívido e sorridente, olhos azuis irisados e o chapéu. Porque ele era da época que não se saía à rua sem chapéu, meu avô muito magro e alto, espanhol dos olhos de céu, sorriso quieto e a ternura imensa.
Vôôôôôô!!!!, quando ele emergia do quartinho, a penca de bananas enormes, amarelas, amarelas, amarelas como o sol de sua casa, como o gosto da cajamanga que ninguém conhece aqui na cidade grande, amarelas como abraço de avô espanhol dos olhos de céu e ternura imensa.
(E, mais tarde, talvez ainda hoje, o desenho e o verso)

És uma especialista nisso.
Ou talvez não haja nisso especialidades – és sensibilíssima, então.