Fênix em Verso e Prosa

Torrencial

Sinto escoar meu corpo misturado à água turbulenta, braços e pernas emaranhados aos peixes, às algas; eu gosto do mergulho azul e frio, à tona o sol lambe minha pele que quase se dissolve no caudaloso rio; talvez meus pés sejam cauda de sereia — sereia de água doce e cheiro de barro, Ofélia hipnótica no vertiginoso manancial; o abraço-meandro, volteio e valsa, a voz do remoinho: grave, cavernosa; a palavra rascante, a música da correnteza que me encanta e sorve; fluida e liquefeita, eu jorro.

Moving Water – Gustav Klimt

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Uma poesia carrega sempre outra

o texto é naufrágio e é silêncio.

Romério Rômulo

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And if I could be who you wanted

Fake Plastic Trees live, com Radiohead

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

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