Sinto escoar meu corpo misturado à água turbulenta, braços e pernas emaranhados aos peixes, às algas; eu gosto do mergulho azul e frio, à tona o sol lambe minha pele que quase se dissolve no caudaloso rio; talvez meus pés sejam cauda de sereia — sereia de água doce e cheiro de barro, Ofélia hipnótica no vertiginoso manancial; o abraço-meandro, volteio e valsa, a voz do remoinho: grave, cavernosa; a palavra rascante, a música da correnteza que me encanta e sorve; fluida e liquefeita, eu jorro.
Moving Water – Gustav Klimt
Arquivado como:Prosa







Quem falou