Fênix em Verso e Prosa

Limiar

vou retesada –
como corda de violino
e sou eu mesma a corda
que me suspende à beira
do abismo

vou por um fio,
vou no fio da faca
que esgota o dia
pés descalços no caminho
afilado, afiado gume
corte talhado, sangue à borda

vivo a fio de espada

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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