É na madrugada que a vida se alarga e as estrelas sopram acalantos; ah! elas dizem que logo estarás de volta, elas dançam como crianças felizes ali ao lado da lua, eterna companheira tua, esta mesma lua olha agora teu rosto em ângulo, teus olhos de tanto querer. É madrugada larga e tua ausência se faz ainda mais aguda, tua falta ataviando em rutilos rubros a noite prateada.
Eu danço, sozinha, sob a abóbada de prismas, ali ao centro há a constelação de Sagitário, me ensinaste. Teu signo é o centro da galáxia, como tu em minha vida — teu sussurro em minha fronte; em minha boca tua promessa, eu volto, espera. E aquela veia no teu pescoço, sob o azul lateja rubro teu sangue e teu ritmo, eu danço aqui a cada batida do teu coração; rodopio, abro os braços e giro — em círculos volteio tua existência, ah! rodopio pela varanda, resfolegante em meu delírio.
Serpenteio em minha dança antiga, eu evoco a chuva, eu canto teu nome, tu és idéia? Incandescem pontos de luz na madeira, em valsas e espirais eles me acompanham, doce ilusão, foi tua boca ou foi sonho? E teu hálito morno, tabaco e hortelã, foi tua boca ou foi sonho? Deixa de sandice menina, dançando na varanda feito doida, a garoa fina, vais te resfriar, vem te deitar que amanhã cedo chega o trem e…
Trem? Trem, menina, vem que teus olhos contam tua febre, olha teu rosto afogueado; trem, mãe? E se não foi a nuvem de terra vermelha, mãe, mas for o trem? E se for o trem?
Arquivado como:Fênix & Xico Santos, Prosa , Amor, Saudade, Sonho
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