Lembro que ardia um sol estalado e doce como o doce de abóbora, e se estendi meus olhos compridos até teu vulto em partida — ah!, foi porque prisioneira sou eu da lembrança das tuas mãos espalmadas na minha cintura. E do teu riso de festa, uns pés dançarinos e nossos corpos em rodopio; é dia de quadrilha e dedos entrelaçados, em espirais e volteios vamos embriagados ao redor da despedida — esta que ficou sob o teu chapéu e só veio, impiedosa, quando o sol se foi, avermelhado e saudoso.
Lembro tanto da tua boca e do teu cheiro, que até hoje guardo o vestido de chita com a nódoa de de doce de abóbora e um resto da luz do sol daquele dia de quadrilha. E ali no canto do armário, vês? Está também o ramalhete já seco das florezinhas da caatinga e as fitas das minhas tranças — à espera que venha se juntar a elas, mais uma vez, o teu chapéu.

Caro Xico Santos,
Lindo e muito sugestivo, até demais, este texto, que nos faz desligar da realidade e entrar no seu sonho, partilhá-lo,
vivê-lo… num alheamento total até à despedida, tarde, quando o sol …
Meu caro, isto são efeitos de ter estado debruçada sobre o
Neo-platonismo de Camões…
Um abraçp
Meg
Meg!
Foi a minha pessoa ruiva quem escreveu este daí! Em resposta para o Encantado XS!
Este cabra e suas palavras encantatórias já obnubilaram teu pensamento, ahahahaahahahahahaahhahah.
beijoooooo
Renata,
E eu não disse?Eu avisei logo que o homem vinha para o desacato da minha alma.
Não fui eu que vivi esse sonho?
Eu sou uma vítima desprevenida apanhada nas malhas
daquela teia de encantamento!!!
E meu Poeta ainda pede os sais!
Ele me paga!!!
Beijão
meg
Aquele XS é perigoso, Meg.
Vou ralhar com ele quando o vir. Vem com estas palavras hipnóticas, este bico doce e deixa minhas leitoras de alma desacatada.
E some, inefável, feito aquele raio de sol que ainda agorinha avermelhava mais meu cabelo. Estendo os dedos, encantada como tu — mas quem consegue tocá-lo?
Assim, quedam meus dedos ansiosos e minha alma — sim!, como a tua! — desacatada…
“(… )
Quando for dia de festa você pega o teu vestido de algodão
Quebro meu chapéu na testa
Para arrebatar as coisas do leilão
Satisfeito eu vou levar
Você de braço dado atrás da procissão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão.”
(Elpídio dos Santos)
As manhãs de agora têm brindado minha saudade com uma neblina daqueles dias. As festas se foram e não temos mais a quadrilha consentindo minhas mãos em tua cintura, nossos dedos entrelaçados; as carícias e o encantamento de nossos olhares…
Estou estranhamente tranqüilo, aqui, sozinho, varrendo os subterrâneos da memória; tirando o pó, colocando toalhinhas de linho branco (engomadas pela esperança) sobre as estantes do pensamento… Aonde colocarei tanta coisa, meu Deus?!
Na estante que separei pra você, coloquei uma flor de laranjeira, simulando o leve perfume que (parece!), eu senti durante a viagem daquele beijo de despedida…
Na música que ouço agora:
“Vou com meu terno terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão.”
XS…
Ai, agora eu que me lasque para responder isso à altura…
Quando Meg vir, capaz de me expulsar do blog e entregá-lo a você.
Beijoooooooooooooo
fenix,seu duelo com o xico santos esta’ delicioso.aguardo ansiosamente o proximo capitulo.