na cidade adormecida
passeio com o bando
as aves do desencontro
o pássaro de fogo
vai ao meu ombro
escuro adorno
do invisível manto
é o meu estandarte
– sou rainha obscura
filha do quarto minguante
a obliterada metade
sou do sol a renegada
em silêncio a revoada
se adensa e circunda
minha figura de penumbra
somos noturnos ciganos
os habitantes das brumas
lá onde o cumo da montanha
confunde-se à espessa nuvem
e o céu é feito de chuva,
é prenúncio da tempestade
somos os herdeiros das sombras
os esquecidos e sinistros
nós pertencemos ao limbo
e à dúvida
somos os filhos do oblívio
nós somos marginais dos sonhos
os portadores das chagas
excomungados e descrentes,
ainda assim sobrevivemos,
tortuosos e errantes
e ainda assim florescemos

‘ainda assim florescemos’
muito bonito, fenix.
aguardo novo capitulo de fenix versus xico santos. abraço da rosinha
Aháááá, agora vocês só querem saber do XS, sei sei sei…
Logo mais sairá outro capítulo!
xoxoxooxoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxo
Renata,
Poesia pulsante, repleta de força e sutis alegorias, com referências palpáveis e, ao mesmo, quase míticas.
Bjs,
Marcílio,
obrigada pela visita e pelo elogio.
Vou visitar o seu espaço mais tarde e deixar lá os meus pitacos, hehehe.
Beijooo