Acordei com o ruído daquela velha vitrola, o som mecânico do braço, dois estalos, silêncio, antecipo a música, arrepio na pele. A agulha pousa suavemente no vinil preto, a música antes da música, anúncio de prazer, meus pêlos eriçados, a noite é espessa, quente e úmida. O primeiro chiado rasga, rouco e suave, o disco — e a música se espalha e dança pelas paredes azuladas, as sombras de nós dois ainda em valsa.
E se for sonho? Tua pele arrepiada, teus pêlos macios, tua barba, a boca úmida. Outro estalo, o vinil sussura, a agulha viaja em círculos, penso em espirais, teu corpo e o meu; e se foi sonho? Gelado o metal que adivinho enferrujado, busco a luz — o tato se engana, teu calor me encanta; um puxão brusco dos meus dedos, a lâmpada amarela o quarto em estalo uníssono ao da agulha na vitrola. Vejo e não me engano, vejo e me encanto: são teus olhos, é teu corpo e é sonho. Abro os olhos e sonho.
Desenho de João Grando


Tu falaste em “roubar” minha imagem. Isto está mais para a presentear. E o roubo tem conotação de empréstimo, já este presente é perene. Posto que o texto ilustrou (assim enriqueceu) perfeitamente a imagem. Tal letra e música.
“(… ) a música antes da música, anúncio de prazer” – palavras-imagem, como chamas. E “(..) e é sonho” palavras-sensação.
João,
ufa, ainda bem que gostou. Desafio grande escrever sobre a imagem de quem também tem a palavra!
Beijooooo
Querida Renata
” Baixou o espírito de Dali em Ti ” ????
Ou sou Eu que estou Dali ???
É ausência ???
Abração
Uia!
Que sonho delicioso!
Dá pra não acordar nunca?
Lindo, Renata. Lindo.
Beijucas
Mário: ausência? isso me parece é fullfilment!
Van: vamos pedir diferente — dá para sonhar para sempre? Gosto de pensar sem partículas negativas na sentença, hahaha….
Beijoooooo
Uau adorei teus escritos Renata!!!!
Muito legal!
beijos menina
Olá, Letícia,
bem vinda aqui por estas bandas!
beijoooooo e obrigada pela visita.