Giram ao meu redor os destroços da minha aridez — eu que sou o eixo, o centro da tormenta, o olho do vórtice, eu o próprio transtorno. Se eu ao menos chorasse, para lavar da pele a escuridão e resgatar-me do abismo em que me dissolvo e calo. Se eu ao menos chorasse e gritasse até acordar os vizinhos, até eriçar o pêlo dos cachorros! Mas, o sal das lágrimas contidas queima meus olhos sem alívio, estes olhos insones e angustiados; se viesse a mim a redenção pelo jorro de uns olhos convulsivos!, mas até o soluço me falta: resto no poço insondável que me habita.
Sou o meu vazio.
Lágrima, por João Grando


Para encher um vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa — sua boca vai mais se
escancarar —
Não se pode soldar o Abismo
Com ar.
Emily Dickinson/ Aíla de Oliveira Gomes
Dziga Vertov disse certa vez:
“Eu sou o olho, eu sou a câmera.
Mostro-vos o mundo, como só eu
o posso ver”
(O olho – brinca com a luz obturando-a no melhor ângulo da festa…
A magia – recorre ao melhor papel, e nos revela o que explode entre a latência e os fogos de artifícios.
Você – o palco está pronto.
Eu – Ah! no deleite supremo da coxia… Feliz da vida.)
xico santos
Foste então atrás da máscara?
Teu texto é vermelho e cai.
E é azul e sobe.
Teu texto grita e transpõe a somente beleza que tenta o cobrir.
“sou o meu vazio”.
isso não é pouco,renata.
um beijo.
romério
RR,
por ora, isso é tudo.
Beijoooo