surge, inesperada
a fera que devora
e a carne rasga
de dentro para fora
esculpe em garra
ornatos de sangue
pétalas em fúria
lança e flor rutilantes
desenham em minha pele
seu enigma de fogo
Arquivado como:Verso , Fênix, Habitante interno
30, Outubro, 2008 • 7:45 pm 7
surge, inesperada
a fera que devora
e a carne rasga
de dentro para fora
esculpe em garra
ornatos de sangue
pétalas em fúria
lança e flor rutilantes
desenham em minha pele
seu enigma de fogo
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27, Outubro, 2008 • 2:41 pm 7
Nem sempre sou tomada pela palavra. E quantas vezes desejo que venha esta posse, que venha o ímpeto — e ele não vem! E fico intranquila e não me assento e não me entendo; a vida emudece, a vida encolhe, o silêncio me atordoa, surdo, grave, agônico. Então, mesmo sem o ímpeto, debruço-me, entregue ao labor; então, vem o corpo a corpo, o difícil encontro, vem o passo de dois, de três, de mil.
Assim, por impulso e por labor, eu escrevo para viver, eu escrevo para renascer; eu escrevo para que a vida ultrapasse o prosaísmo dos meus dias de areia.
Arquivado como:Prosa , Escrever, Renascimento
23, Outubro, 2008 • 9:51 pm 6
Tua sombra deitada no muro que atravessa – arma branca! - as manhãs.
Porque meus dias começam em “não” - e ele tem como lastro o teu nome.
Arquivado como:Prosa
• 9:02 pm 2
O filho ganhou um pião do pai que lembrou como ficou feliz quando ganhou seu primeiro pião de seu pai. O filho falou “Legal” e logo perguntou:
- Isso é uma escultura de pêra?
-Não! Isso é um pião!
-Ah! Uma escultura de pêra se chama peão! E eu achando que peão era uma peça de xadrez!
-Filho, peão é uma peça de xadrez.
-Ah!
- Entendeu agora?
-Sim. Peão tem mais de um significado!
- Pelo amor de Deus! Isso é um pião, mas se escreve com “i”.
- Ah! É um “pião”! E como é que se usa?
- Filho, para usar um pião, você enrola uma cordinha no pião, que vem no pacote, e solta, assim ele começa a girar.
- Ah! Que nem os que vêm nos salgadinhos, só que nesse tem cordinha.
- É, mas o dos salgadinhos é sem graça! Até que enfim você entendeu!
- Pai!
O pai pensou “Ai meu Deus” e disse:
- O que filho?
- Porque você não me deu as instruções? É bem mais fácil!
- Porque não tem.
- Mas por quê?
- Porque…- ele pensou que ia dar o maior trabalho para explicar e disse:
- Deixa pra lá.
Depois de um tempo, o pai encontrou o menino na frente da tevê, com o pião novo ao lado, mexendo nos controles do videogame. Algo chamado “Monster”. O pai pensou: “Na próxima vez vou dar um carrinho…” Ele olhou novamente para o menino e continuou pensando: “Pensando bem, um videogame com carrinho”.
( Redação feita em sala de aula, no estudo sobre Crônicas, a partir de Bola, de Luís Fernando Veríssimo)
Arquivado como:Outros autores , Bibi
22, Outubro, 2008 • 9:31 am 3
Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.- Eu faço versos como quem morre.
Arquivado como:Outros autores , Manuel Bandeira
• 2:20 pm 0
A. Zarfeg
Agosto azarado:
só por que nasci assim
e não superdotado?
Vagner Heleno
o cume branco
d’alto, pensar está
perto de deus
Arquivado como:Outros autores , Haicai
• 2:15 pm 2
de alguma forma
morrer um dia:
de luta armada
de mulher
ou de poesia.
Arquivado como:Outros autores , Romério Rômulo
20, Outubro, 2008 • 11:54 am 3
Em resposta aos Fulminantes.
até parece a gente,
tão encantada
que vai valsando
vai sôfrega, urgente
vai em redenção
e, no encontro, um muro
– pétreo não
e o choro e o soluço:
desilusão
• 11:50 am 2
Foi mais uma dessa flor,
que tão depressa acaba:
nasce manhã no jardim,
morre tarde no velório.Por nada voa o inseto,
quer chegar sem um escudo:
tenta entrar em claridade,
mas sai, do fogo, escuro.Pobre da pequena mosca,
de tão viciada entorna:
chegou ao doce, engasga,
num só instante, um tapa!
Arquivado como:Outros autores
19, Outubro, 2008 • 11:53 am 1
Hilda Hilst
E só me veja
No não merecimento das conquistas.
De pé. Nas plataformas, nas escadas
Ou através de umas janelas baças:
Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias.
E só me veja no não merecimento e interdita:
Papéis, valises, tomos, sobretudosEu-alguém travestida de luto. (E um olhar
de púrpura e desgosto, vendo através de mim
navios e dorsos).Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes.
Mas sobre mim, intensas, ilhargas juvenis
Machucadas de gozo.E que jamais perceba o rocio da chama:
Este molhado fulgor sobre o meu rosto.
Arquivado como:Outros autores , Hilda Hilst
16, Outubro, 2008 • 11:01 pm 3
De Gene De Paul e Sammy Cahn, Teach me tonight, com Amy Winehouse ao vivo no Jools Holland Show
Arquivado como:Música, Vídeos , Amy Winehouse, Jools Holland
• 10:48 pm 0
Keane ao vivo no Jools Holland Show
I don’t know your thoughts these days
We’re strangers in an empty space
I don’t understand your heart
It’s easier to be apart
We might as well be strangers in another town
We might as well be living in a another time
We might as well
We might as well be strangers
Be strangers
For all I know of you now
Arquivado como:Música, Vídeos , Jools Holland, Keane
14, Outubro, 2008 • 10:13 pm 2
Ouça com Ella Fitzgerald & Louis Armstrong
Let’s call the whole thing off
I’ve got my love to keep me warm
Learnin’ the blues
Arquivado como:Música , Ella Fitzgerald, Louis Armstrong
12, Outubro, 2008 • 8:41 pm 5
Asas. Em meus sonhos, sempre asas — já não me importava a vida, o cativeiro; só o vôo, o trajeto da alma. E depois de tantos dias escuros, tanto sofrimento seco e silencioso, eis que endureceram-se minhas penas, eis que se fez pesado o corpo que levitava.
Então, você chegou com um par de sapatos. Vermelho, disse — e, assim, com esta única palavra, eu entendi que eram mágicos. Esperei, em vão, que me alçassem aos céus; esperei que me devolvessem o vôo. Mas de mágicos não têm nada esses sapatos, atirando-os ao longe, olhos ardendo: sal de lágrimas desesperançadas; estes inúteis sapatos vermelhos, rouca, desafinada, engasgada: voz de desilusão.
Fechou os olhos? Não! Veja este meu corpo!, é agora que tomo consciência do meu peso, da minha falta de jeito; veja este meu corpo sólido e triste! Fechou os olhos? Não me lembrei de fechar os olhos, nem sei mais sonhar…
Calcei os sapatos, são vermelhos, eles brilham, tenho medo; ah!, que serei apenas uma mulher patética, com seu corpo grande e maltratado, de olhos fechados e ridículos reluzentes sapatos vermelhos? E os sonhos todos vãos? Os olhos, feche os olhos.
De olhos fechados não me vêm as asas — e é estranho sentir um movimento dos meus pés, meu corpo oscila; parece que anda instável o chão? E é música isso que vem pelo ar, a enfeitar o vento, atavios de fitas de cetim e um quê de seda azul e rosa, fluida, leve, asa de borboleta, libélula, pássaro? Ah, mas que é música e meus pés se agitam, meu corpo desliza, aperto os olhos, liberto os braços como antes estendia as asas; ah!, é música, os sapatos vermelhos que não me devolveram o vôo me deram a terra! Meus pés agora querem o chão, este solo avermelhado e quente, em rodopios, em piruetas, em ligeiros e cadenciados passos. E é em primavera e valsa que a mim se apresenta o caminho — do céu ao chão, das nuvens à terra; há ali uma estrada, não!, há ali um caminho que se abre em dádiva, folhas em branco que se desdobram em oferta — e por ele vou valsando, com sapatos vermelhos e sonhos coloridos de arco-íris.
The Red Shoes, por João Grando
Arquivado como:Desenho, Fênix & João Grando, Prosa , Asas, Dançar, Fênix, Imaginário, Renascimento, Sonho, Vôo
9, Outubro, 2008 • 11:04 am 7
Acorda sobressaltada e olha a cama vazia, que antes lhe parecia tão estreita. O sol ainda não nasceu, mas ela sabe que não lhe resta qualquer sono. Decide levantar-se e arrumar os pertences do marido. Abre os armários e encara as roupas tristemente penduradas nos cabides, afaga o tecido e as cheira. Sente raiva repentina, ao lembrar o carinho com que as lavou e passou, e fecha com força a porta. Segue para o banheiro, sem saber como se desfazer da escova de dentes, dos objetos de barbear; vê a mancha de sangue na toalha de rosto e, distraída, sacode a cabeça com ternura, ele sempre se corta, sorri.
Determinada, volta ao armário e retira as roupas, esbarra na dúvida: se arrumar demais a mala, há de parecer que ainda gosto dele? Tenta superar sua obsessão pela ordem e atira descuidadamente o paletó, as camisas, divide os pares de meia. Mesmo sua desordem é simétrica e se enche de raiva novamente; raiva, confusão e humilhação por ter sido abandonada, por ter sido trocada pela mulher vã e fútil que viu outro dia, espiando pela janela; a loura no carro, os lábios pintados e a risada alta. Mas, se arrumar bem as roupas dele, talvez perceba o engano que cometeu, ao deixar a boa mulher que ela era, escolhendo aquela criatura de cabelos tingidos, ela lembra das unhas rubras, o cigarro nos dedos esguios e enfeitados. Ah, sua mãe a advertiu, a educou para ser esposa decente do homem honesto e trabalhador. Nada de extravagâncias, minha filha, que homem gosta de mulher confiável, serena, calma. Read the rest of this entry »
Arquivado como:Prosa , Desencontro, Saudade, Separação, Solidão, Sonho
8, Outubro, 2008 • 12:07 am 4
Esquema de um haicai tradicional
1. Pequeno poema japonês, conciso e objetivo, curto o bastante para ser recitado de uma só vez.
2. Conta com 17 sílabas poéticas, divididas em 3 versos, na seguinte estrutura: 5-7-5. Read the rest of this entry »
Arquivado como:Divulgando
7, Outubro, 2008 • 11:37 pm 0
Recebi por email e reproduzo aqui, pois creio que vários podem se interessar em participar.
Eu mesma estou pensando em enviar uns mini-contos, mas os meus preferidos ultrapassam o tamanho máximo. Não!, eu não vou cortar nem editar nada. Vou escolher outros. Depois, publico aqui um esquecido que eu achei no meio dos meus alfarrábios virtuais.
Inscrevam-se! Participem!
3º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE MINICONTOS E HAICAIS / 2008
www.guemanisse.org
editora@guemanisse.com.br
guemanisse@globo.com
Objetivando incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 3º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE MINICONTOS E HAICAIS, composto por duas categorias distintas:
a) Minicontos;
b) Haicais,
o qual será regido pelo seguinte
REGULAMENTO
1. Podem concorrer quaisquer pessoas, de qualquer nacionalidade, desde que os textos inscritos sejam em língua portuguesa. Os trabalhos não precisam ser inéditos e a temática é livre. Read the rest of this entry »
Arquivado como:Divulgando
5, Outubro, 2008 • 7:28 pm 6
Hoje, nem verso nem prosa. Um pouco do mundo real – que dói, dói, doi.
A Marluce tem dois lindos olhos azuis que brilham apesar de tudo. Mesmo tendo sido vítima de um marido alcóolatra e violento, por longuíssimos anos, até que conseguisse que a polícia o tirasse de dentro de casa.
Foi o começo de uma nova vida para ela e seus 5 filhos. Todos os dias, ela acorda de madrugada, atravessa a cidade pendurada em ônibus lotados para vir aqui, cuidar da minha casa, da minha bagunça, das minhas filhas. Apesar de tudo, a Marluce canta o dia inteiro, tão desafinada que é quase impossível reconhecer a música. Um dia, ela disse às menininhas que canta porque é feliz.
Hoje, a Marluce parece um espectro. Dos seus olhos brilhantes saem as mais dolorosas lágrimas, da sua boca saem soluços: seu filho morreu. Read the rest of this entry »
Arquivado como:Mundo vasto mundo , Mundo, vasto mundo
1, Outubro, 2008 • 7:41 pm 3
Dancing on the ceiling, com Ella Fitzgerald
Arquivado como:Música, Vídeos , Ella Fitzgerald
• 6:22 pm 1
Por Rafael Coelho
Foi então que se fez uma boca, visto que já havia uma, e essa era outra. E para a boca, não só gotas, mas outra boca.
Arquivado como:Outros autores
• 5:42 pm 2
Quem falou