Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.
fênix:
a partir das insônias,fiz.
“poetas são malditos e no espanto
de revelar limites se martelam.
há um poeta assim,em cada canto,
no redemunho do espanto que revelam.
poetas são em pétalas,cruéis
com tintas destiladas pela mão.
os dedos se arrebentam em pincéis
drogados pela cor da solidão.
tão bêbados de tudo,estes poetas
de ansiedade e insônia vão tomados.
ao percorrer as noites pelas frestas
poetas são destroços renegados.”
(poeta e noite)
romério