Fênix em Verso e Prosa

Acróstico

Beatriz Nassif

V iajo à procura de amor

I ndependente de o achar

D ia de namorar à luz do luar

A procura de ti, uma beleza como a flor

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obscuros

de tão perto e por tanto
que agora vivo em flerte
- encantados eu e ele

e não sei do meu desejo:
se é abismo, se é espelho

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Outras notícias

Hilda Hilst

Se chegarem as gentes, diga que vivo o meu avesso.
Que há um vivaz escarlate
Sobre o peito de antes palidez, e linhos faiscantes
Sobre as magras ancas, e inquietantes cardumes
Sobre os pés. Que a boca não se vê, nem se ouve a palavra

Mas há fonemas sílabas sufixos diagramas
Contornando o meu quarto de fundo sem começo.
Que a mulher parecia adequada numa noite de antes
E amanheceu como se vivesse sob as águas. Crispada.
Flutissonante.

Diga-lhes principalmente
Que há um oco fulgente num todo escancarado.
E um negrume de traço nas paredes de cal
Onde a mulher-avesso se meteu.

Que ela não está neste domingo à tarde, apropriada.
E que tomou algália
E gritou às galinhas que falou com Deus.

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Dos meus visitantes poéticos

Quem tem visita assim, ah!, pode até ser abandonada pela poesia que não fica órfã…

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Triângulo

Janaína Amado

Corre a ruiva pelo prado
em busca do verso exato
de linha régua e compasso
Perseguida pelo coelho
alvissareiro interessado
em seu fogo ligeiro seu
círculo vermelho

Aparece o unicórnio
azul como o mar a árvore o mel
Observa a cena, enamorado:
nem círculo nem linha mas
triângulo, do qual a minha
crina é cateto principal

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Quadrado

Rafael Coelho

Queria eu ajudar essa ruiva festeira
a achar o tal grande soneto esculpido,
para numa só rima acabar com o gemido
e dizer a ela: tu és a grande arteira!

Afinal, apesar de eu sempre me enfeitar
nesses versos contados (por que não regrados?),
amoleço nas redondilhas a cantar
desse fogo ligeiro de amores alados.

Só quero que me cantes belezas da vida,
me digas pra sair do ovo de coelho tonto,
e, assim, num grito de uma recém-nascida

Me faça ver que também eu, assim de pronto,
posso dizer das palavras as mais garridas
e esquecer que toda linha chega a um ponto.

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Notícias

Faz quase um mês que não ando.

Meu tornozelo dói consideravelmente.

A insônia voltou e fez residência em mim.

A poesia foi embora, assim sem mais.

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Círculo

quero a palavra certeira
o verso estampido
um tiro no peito

para morrer em rima
morrer em soneto
fatal redondilha

queimar até as cinzas
renascer do avesso

verde e dissolvida
em verso-recomeço

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There’s such a lot of world to see

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ampulheta

o tempo em excesso me aplaina.

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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  • Let the truth be known / Nobody showed me how supposed to go....5 hours ago
  • Let the truth be known / I have to learn to live in this world on my own /...5 hours ago
  • Let the truth be known / I’ve got to walk around in my own tennis shoes /...5 hours ago
  • Pronta para a festinha... http://twitpic.com/rd7wg...1 day ago
  • Resolvi. Vou comer no japa e encher a lata de sushi e sakerinha. E seja o que Deus quiser com meus restos depois....2 days ago


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