Fênix em Verso e Prosa

Tchau

Saí para o pátio escuro, porque ouvi a garoa leve lamber a janela, saí ali ao lado da bananeira, meus dedos febris marcando o vidro frio da porta que se abre em assobio; e, ali, ao lado da bananeira que tanto me conforta, levantei o queixo e deixei a chuva gelada cair sobre meu rosto inflamado, deixei a chuva lavar meus olhos desertos, minha boca flácida. Ali, eu me despedi da bananeira, dos sonhos derramados, dos esforços vãos. Não, eu não vou em paz, eu vou com pressa, eu vou arrastando uns despojos da tormenta, eu vou atribulada, o sangue esparramando ansiedade pelos meus músculos. Não, você não entende o que eu escrevo; não, eu não escrevo para você: nem para mim. Eu escrevo para desafogar, eu escrevo quando a noite silente cala a chuva gelada e minha face arde. Isso é uma despedida e despedidas não fazem sentido. Nunca. E depois outra vida recomeça, a bananeira, as madrugadas insones, outras despedidas — tudo se aplaina, as cores esmaecidas pelo tempo: memória longínqua. Depois, o sentido pouco importa, o sentido se reverte, se inverte, se desmancha. E, talvez, o novo dia que amanhece venha colorir de esperança as horas. E depois…

Arquivado como:Prosa , ,

2 Responses

  1. xico santos disse:

    Amiga:

    Renascer – Altay Velloso

    “Largar desse cais
    Ir sem direção
    Seguir os ventos que clamam por mim
    Tecer minhas teias
    Com minhas mãos
    Sugar das entranhas desse chão meu fim
    Digladiar com os dois de mim
    Ser o São Jorge de meu dragão
    Dividir meus segredos com a noite
    Minhas verdades com os céus
    Trilhar as estradas
    Que não trilhei
    Romper as portas trancadas por mim
    E assim minhas mãos saberão de meus pés
    E assim renascer e assim renascer!”

  2. “texto para desafogar”.foi o que achei.muito bom.
    romério

Leave a Reply

Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

Twitter: Os pios da Fênix

  • Alguém usa/usou Joomla?...4 hours ago
  • Meu Echofon tá dando pau? *suspiro*...4 hours ago
  • Let the truth be known / Nobody showed me how supposed to go....20 hours ago
  • Let the truth be known / I have to learn to live in this world on my own /...20 hours ago
  • Let the truth be known / I’ve got to walk around in my own tennis shoes /...20 hours ago


FotoFênix

Baby Phoenix

Partying

More Photos