Fênix em Verso e Prosa

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  • ontem à noite eu escrevi, em pensamento, um poema tão bonito!, mas ele se dissolveu em sonhos.

  • Veio quase agora – de novo! – o poema que me fugiu ontem. De manso, pela sombra, sussurrante. E farfalhou pelas paredes e sumiu pela janela.

  • E esse silêncio é senão aliado da insônia.

  • é o desassossego, o luto atravessando a madrugada clara, sou eu insone pela casa, eu de olhos escuros e mãos geladas.

  • Tantas coisas a aurora não resolve: tua ausência, meu coração…

  • Tem aquela música que toca sempre que eu fecho os olhos — e ela me leva até você.

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Re nata

Eu não sou atual, não uso RSS, não acompanho notícias, não entro em debate: eu sinto. Eu sinto! Eu giro meu dial, meus cabelos eriçados são antenas de cobre, de ouro, de fogo: eu sinto! Mesmo quando eu me calo, mesmo quando você acha que eu só respiro e sobrevivo, eu sinto! E meu pensamento dança em versos, valsas, rimas, aliterações, meu coração rodopia livre, meu pulso ritmado. E você não escuta o sincopado da minha veia, você não sente minha febre: minha carne arde, minha alma anseia, minha língua estala. Em silencio, eu deliro; sem alarde, eu me incendeio e me refaço: fênix rediviva.

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Prometeu, teve que cumprir

Romério Rômulo

uns graus de febre eterna
avulsam meu corpo.
a vida hiberna.
eu, louco.

uns graus de febre eterna,
estados do pulso.
a vida hiberna.
eu, avulso.

a mão firme se enterra
no meu pescoço.
uns graus de febre eterna:
eu, osso.



renata:
a culpa é sua que veio me pressionar.
um beijooooooooo.
romério

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Cachorro louco

Agosto custou a chegar e este era o mês em que tudo se decidiria: eu, você, o cachorro que nós teríamos, um jantar em noite de lua cheia, noite fria de inverno, derretendo em nossa pele. Seríamos nós dois a nos desfazer do signo de inferno, nós dois a reinventar o mês — mês do cachorro novo.

Agosto e nossa rebeldia, agosto com gosto de cereja madura, agosto-doce, a gosto, a gozo. Agosto e a revolução do calendário: em agosto um reencontro, nós dois a celebrar um tempo que nasceu em estigma, nós dois a desafiar a vida; nós dois até sermos quatro: eu, você, o cachorro e o amor improvável.

Neste agosto que custou a chegar, sete foi o número mágico, que se multiplicou sete vezes por dia, em sete dias de espera, sete dias por semana; neste agosto faltou você e o inverno; neste oitavo mês, o calor ardeu como a sua ausência.

Agosto o mês em falta, agosto de espera, agosto árido, agosto-agonia, agosto para sempre, agosto nunca mais. Agosto foi também março, foi abril, maio e junho, agosto foi julho aglutinado — e setembro que se emenda: este é o ano de agosto, este é o ano do não.

E amarelou-se no armário o vestido de cetim e veludo que eu usaria para o encontrar, amarelaram meus dedos e meus olhos e minha esperança — e agosto não foi senão sinal de desgosto pintado de ocre em meu calendário.

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Achados e perdidos

E se eu me perder e me deixar naufragar? E se eu me deixar dissolver na correnteza?

Mas, se me perco no deserto — se não tenho mar!,  só o ar quente e parado, que estala nos ouvidos, me entala na garganta o suspiro.

Mas, se me perco e é só o mormaço do dia estéril.

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Insônia

Álvaro de Campos

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.     Read the rest of this entry »

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Are you lost in your lies?

No more sorrow - Linkin Park

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Pêndulo

quando você se levanta, respiro fundo e aprisiono seu cheiro, eu deito no seu lado da cama, para roubar seu calor que restou no lençol; quando você se levanta, e você sempre vai antes de mim, deixa para trás despojos e amor efêmero.

e leva consigo uns graus da minha febre eterna, que é para lhe revirar o corpo, para perturbar seu trajeto em fome, em desejo, em loucura. eu deixo ir na sua pele minha boca, minha língua e minhas pernas – que é para garantir a sua volta.

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Una mujer no sabe mirar. Sólo ve sus sueños.

Julio Cortázar

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

Twitter: Os pios da Fênix

  • Pronto. @bibinassif despachada. E eu me comportei linda e dignamente e nem chorei (não na frente dela pelo menos)...1 day ago
  • A piveta ansiosa @bibinassif finalmente no quase embarque. http://twitpic.com/plyoa...1 day ago
  • para matar a saudade daquele tempo: joy division. ian curtis, muito, mas muito antes e melhor que seus "herdeiros" new orders......2 days ago
  • why is it something so good/ just can't function no more? love. love will tear us apart again/ love, love will tear us apart again...2 days ago
  • do you cry out in your sleep?/ all my failings exposed.../gets a taste in my mouth/as desperation takes hold/...2 days ago


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