Fênix em Verso e Prosa

Memória – 2

Hilda Hilst

Há certos rios que é preciso rever.
Por isso, volto, Ricardo, àquelas margens
Onde na sombra de um verde descansavaa
E um canteiro de limo sob os nossos pés
Adiante desaguava. Volto, seguindo a viagem
De mim mesma e aos poucos convergindo
Oculta, vária,
Até fechar um círculo e entender
Essa asa de fogo sobre as coisas.
Talvez neste canto eu direi
Das estreitas passagens, do lodo
Convulsivo dos ancoradouros, dos funerais
Que vi, para chegar à luz da primeira paisagem.
Meus olhos deram volta à ilha.
Sigo pelos caminhos, transfiguro-me
Sei que um igual destino eu já cumpri
E ao mesmo tempo em tudo me descubro
Casta e incorpórea. Sou tantas,
Tantos vivem em mim e pródiga descerro-me
Pródiga me faço larva e asa.

Arquivado como:Outros autores ,

Leave a Reply

Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

Twitter: Os pios da Fênix

  • Saudade do meu Bombonzinho - por ora brincando de ser Alfajor *suspiro*...4 days ago
  • Delicadeza para os dias em que a vida dói – grotesca, estupidamente. Gnossienne nº5, de Eric Satie - http://tinyurl.com/yan9r24...4 days ago
  • :blog: Blog fechado para balanço.: http://bit.ly/3h0iZW...4 days ago
  • A toda morte seguirá um renascimento? Velar a perda e observar o luto confiando no futuro: o fogo e a ascenção?...4 days ago
  • Tão emocionais estes últimos dois dias. Meu coração nem sabe se galopa, se sonha. Suspender o blog foi alívio, mas também uma perda. Luto....4 days ago


FotoFênix

Baby Phoenix

Partying

More Photos