agora estou fazendo uma lista de nãos. sendo os mais importantes os que te disse quase sem perceber: os cruciais. mesmo assim, você ficou. 7:56 PM Jul 26th via web
decidi numerar arbitrariamente este “não” – porque perdi a conta daquela lista que faria – este é, então, o “não” 42. quarenta e dois, meu número da “sorte”, sabe? aquele que eu sempre jogo na loteria. e sempre perco. é aquele número que sempre me falha, o tal 42.
foi um “não” silencioso, este. você me disse na cama, outro dia – ah que já era madrugada fria, isso sim. e tão avançados estávamos que seu corpo ocupava, lasso e despreocupado, um lugar na minha cama, sua escova de dentes ali no meu banheiro; e tão avançados estávamos que você já era meu cotidiano.
e na minha cama, na madrugada fria, você disse eu te amo.
daí se desenrolou, inevitável, clichê na maldita hora, o tal quarenta-e-dois: fingi que dormia. em outros tempos, eu teria que retesar os músculos para segurar a risada que cuspiria a minha boca emudecida; em outros tempos, este meu “não” clichê e banalizado, este que aparece em todos os filmes, ah!, que este “não” daria cabo do meu fingimento. em outros tempos, quando eu era verde e úmida criatura, a própria ironia do meu “não”-chavão o transformaria em “sim”.
porque o quê importa se meu amor é salgado? àquele tempo, ele valeria mais que o medo, tão repetido, tão galvanizado em lugar-comum.
àquele tempo, eu te responderia um “sim” de amor, salgado que fosse. porque o quê importa se meu amor é salgado?

