Escrevo para aquele que está tão distante como se em outro continente. Mas o que nos separa não é o oceano: é um deserto.
25 de outubro de 2011, 01h47
Querido,
Como está?
Por aqui as coisas vão andando e evoluindo. Não na velocidade dos meus anseios, mas em um ritmo próprio, compassado feito valsa.
Parece que a vida tem um jeito de ser vivida que não se faz apressar pelo meu relógio. Mas que de certa forma ri e às vezes até se compadece de mim, como se eu fosse nada mais que uma criança afoita nos seus quereres.
O tempo, por outro lado, corre largo, corre solto e ligeiro, acrescentando uns números ingratos ao meu corpo; mas te juro que me recuso a deixar que números definam ou cerceiem minha alma.
Se o final do ano não é das minhas estações preferidas é porque meu ano se finda e recomeça em datas que são alheias ao ano fiscal, sabe? Meus circadianos não se medem pelo calendário cristão, daí que fico nesse descompasso estranho, como que perdida entre as espirais de uma dimensão desconhecida.
Acho que faço pouco sentido, talvez? É o avançado da hora, a insônia e esse silêncio excessivo, que me perturba um pouco.
Escrevi mesmo para dizer que sinto saudades.


Faz todo sentido, Fênix. Egoísta, fico na torcida por mais das tuas insônias.
[ ]s
Hahaha egoísta mesmo! Bora dormir cedo e escrever antes da madrugada….
Bjos