Fênix em Verso e Prosa

Mini Ruiva

lambis

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enquanto isso…

a ansiedade rói minhas vísceras.

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estranhos prazeres

eu não sei viver sem este comichão nos dedos, este sangue agitado, essa febre, esse rubor! sem sonhar em silêncio, sem cantar bem alto dentro da minha cabeça, sem sorrir sozinha, sem o sussurro dos meus personagens: os mortos, os vivos, os perenes.

viver me dói e me frustra, viver me limita. ainda assim, é vida, ainda assim é mais, ainda sim eu inspiro e abro os braços: ainda assim é mais!

mesmo quando eu me calo — e tantas vezes eu me calo; e tantas vezes fico quase inerte no frescor e na quietude da minha casa. ah, mas alguma coisa pulsa em mim, não, não, tudo pulsa em mim, tudo respira, tudo vive! são prazeres tão ínfimos, quase ridículos, como eu me deliciar com os azulejos brancos da parede do meu banheiro. e acariciar sua simetria, sua alvura, sentindo com gosto a água quente do chuveiro — isso, isso! isso me delicia.

coisa mais bizarra sentir prazer com azulejos.

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É?

É esse cabelo ruivo que me faz pensar em olhos vermelhos, línguas de fogo e desejos cintilantes? Mesmo quando a noite é opaca e silenciosa, mesmo quando durmo e sonho em branco?

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Re nata

Eu não sou atual, não uso RSS, não acompanho notícias, não entro em debate: eu sinto. Eu sinto! Eu giro meu dial, meus cabelos eriçados são antenas de cobre, de ouro, de fogo: eu sinto! Mesmo quando eu me calo, mesmo quando você acha que eu só respiro e sobrevivo, eu sinto! E meu pensamento dança em versos, valsas, rimas, aliterações, meu coração rodopia livre, meu pulso ritmado. E você não escuta o sincopado da minha veia, você não sente minha febre: minha carne arde, minha alma anseia, minha língua estala. Em silencio, eu deliro; sem alarde, eu me incendeio e me refaço: fênix rediviva.

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Tweets 3

Aniversário da Bibi hoje: 11 anos. Sempre um dia feliz e pleno para mim, não importa o resto… 8:20 PM May 4th from Tweetsville

O avesso, o coágulo – meu sangue azedo -, meus dias escuros, meu grito surdo, a noite muda – até isso!, até isso te dou. 11:21 PM May 4th from Tweetsville

Esse ar elétrico que antecede a tempestade tem nome? quero essa palavra, essa que descreve o instante anterior da tempestade. Alguém? 12:32 PM May 8th from TwitterFox

A mesma palavra servirá para descrever o momento infinitesimal em que meu coração falha uma batida e minha respiração se suspende… 8:50 PM May 8th from Tweetsville

Faminta, incansável, a ansiedade vem me mordendo o dia todo. 7:39 PM May 11th from Tweetsville

Os sons da rua vão mudando conforme a noite avança, minha casa um oásis de silêncio, a ansiedade descerra a mandíbula, o sono se insinua… 10:42 PM May 11th from Tweetsville

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Tweets 2

Tenho essa mania de escutar obsessivamente uma música até me fundir com ela: notas, tremolos, sentimentos,versos, tudo difuso, puro sentido. 3:47 PM Apr 25th from Tweetsville

Manhã de sábado com canto de passarinhos: essa pausa na vida, a doçura melancólica — um suspiro. 9:02 AM May 2nd from Tweetsville

Gosto de alongar os minutos antes de dormir: o silêncio e os sons noturnos valsam, alternados; sono e sonho acariciam meu corpo e alma… 12:30 AM May 3rd from Tweetsville

Há um reencontro que se anuncia em mim, arrepio na pele, tremor na espinha: uma poesia me espera. 12:33 AM May 3rd from Tweetsville

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Tweets

É verdade que o Twitter tem roubado um pouco das minhas palavras. Por questões de acessibilidade: à noite, quando eu paro tudo, à noite, quando o encontro comigo mesma é inevitável — fica fácil alcançar o telefone, digitar umas palavras e publicar. Facilidade que o WordPress ainda não tem.

Mais verdade ainda é que a poesia — aquela que foi ali na esquina comprar um cigarro — até agora não voltou. E de tanta saudade, eu quase invento sua presença, quase sinto seus dedos me acariciando; e de tanta saudade, eu quase, quase consigo tocá-la, eu quase escrevo.

Nada mais justo, então, que eu transcreva aqui um poucos dos meus tweets, nem que for para quase romper este meu quase silêncio.

Esses dias brancos são calmos, insuspeitamente belos, algo que eu não imaginava: a beleza sem cor. É que meu sangue não mais os tinge… about 16 hours ago from Tweetsville

O vermelho agora está no lugar certo: minhas veias, meu cabelo, meu desejo. about 16 hours ago from Tweetsville

Esmaecidos e distantes os sons da minha vizinhança que tanto me confortam: gritaria, balbúrdia, buzinaço, fogos… about 13 hours ago from Tweetsville

…Esse rebuliço atravessa a noite, perturba meu momento, tão íntimo, tão necessário: eu comigo, eu e meus pensamentos, eu e quase a poesia.  about 13 hours ago from Tweetsville

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Véspera

sei que parece silêncio, mas é rebuliço, entranhas retorcidas; é meu sangue azedo, coagulado, é minha veia contraída, pronta para o grito – mesmo quando minha boca se estreita; parece sereno este ar parado, parece calmaria, mas veja!, é elétrico, carregado, anunciado de tempestade; sei que parece pouco, que parece nada, mas é meu corpo do avesso, é meu corpo incendiado, meu corpo em cinzas, é meu luto – mesmo quando meus dedos se calam, mesmo na noite seca e muda -, é o prenúncio e o fim, é minha morte e meu renascimento.

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Dos meus visitantes poéticos

Quem tem visita assim, ah!, pode até ser abandonada pela poesia que não fica órfã…

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Hey babe,

Sinto saudade.

Arrumei um vidrinho de Rivotril – hoje estou decidida: vou dormir.

Com a boca embriagada pelas gotas mágicas, acridoces e quentes, as gotas da paz, é assim semi adormecida que te escrevo. É assim vulnerável que te procuro. Mesmo sabendo que talvez não ouças. Mesmo sabendo que, ouvindo, não entenderias.

Porque preciso que a vida faça algum sentido — não precisa ter coerência; não!, não é este sentido banal, ordinário, não: acho que deveria ser caótico, talvez uma ventania inesperada; qualquer coisa que me surpreenda, qualquer coisa que me desperte dessa insônia entorpecente.

Meu eu razoável se mistura aos meus anseios: não sei quem fala, talvez todas as minhas personagens, depois eu, então todos os quereres.

Talvez a balbúrdia da feira de vozes seja minha palavra mais verdadeira.

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Ascenção do Império Ruivo

Tô na área.

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Influenza

Gripe

Como é que alguém pode ser nocauteado por uma partícula que mal e mal é um ser vivo? Um RNA envolto em uma capinha protéica — só isso.

(( a foto do monstro ))

Tosse, dor de cabeça, desgosto, infelicidade geral, nariz entupido, o corpo atropelado por um trator, mais desgosto, o cérebro cozido e os pensamentos entorpecidos.

Então, fica assim: depois que eu sarar, eu volto.

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

Comunidade Verso & Prosa

Twitter: Os pios da Fênix

  • Pronto. @bibinassif despachada. E eu me comportei linda e dignamente e nem chorei (não na frente dela pelo menos)...1 day ago
  • A piveta ansiosa @bibinassif finalmente no quase embarque. http://twitpic.com/plyoa...1 day ago
  • para matar a saudade daquele tempo: joy division. ian curtis, muito, mas muito antes e melhor que seus "herdeiros" new orders......2 days ago
  • why is it something so good/ just can't function no more? love. love will tear us apart again/ love, love will tear us apart again...2 days ago
  • do you cry out in your sleep?/ all my failings exposed.../gets a taste in my mouth/as desperation takes hold/...2 days ago


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