Fênix em Verso e Prosa

Memória – 2

Hilda Hilst

Há certos rios que é preciso rever.
Por isso, volto, Ricardo, àquelas margens
Onde na sombra de um verde descansavaa
E um canteiro de limo sob os nossos pés
Adiante desaguava. Volto, seguindo a viagem
De mim mesma e aos poucos convergindo
Oculta, vária,
Até fechar um círculo e entender
Essa asa de fogo sobre as coisas.
Talvez neste canto eu direi
Das estreitas passagens, do lodo
Convulsivo dos ancoradouros, dos funerais
Que vi, para chegar à luz da primeira paisagem.
Meus olhos deram volta à ilha.
Sigo pelos caminhos, transfiguro-me
Sei que um igual destino eu já cumpri
E ao mesmo tempo em tudo me descubro
Casta e incorpórea. Sou tantas,
Tantos vivem em mim e pródiga descerro-me
Pródiga me faço larva e asa.

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Relendo Raduan Nassar – II

Lavoura arcaica – trecho

O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz diabruras, o tempo brincava comigo, o tempo se espreguiçava provocadoramente, era um tempo só de esperas, me guardando na casa velha por dias inteiros; era um tempo também de sobressaltos, me embaralhando ruídos, confundindo minhas antenas, me levando a ouvir claramente acenos imaginários, me despertando coma gravidade de um jugamento mais áspero, eu estou louco! e que saliva mais corrosiva a desse verbo, me lambendo de fantasias desesperadas, compondo máscaras terríveis na minha cara, me atirando, às vezes mais doce, em preâmbulos afetivos de uma orgia religiosa, esfolando as farpas sanguíneas de nossas cercas, me guiando até a gruta encantada dos pomares! que polpa mais exasperada, guardada entre as folhas de prata, tingindo meus dentes, inflamando minha língua (…)

O tempo, o tempo, o tempo e suas águas inflamáveis, esse rio largo que não cansa de correr, lento e sinuoso, ele próprio conhecendo seus caminhos, recolhendo e filtrando de vária direção o caldo turvo dos afluentes e o sangue ruivo de outros canais para com ele construir a razão mística da história, sempre tolerante, pobres e confusos instrumentos, com a vaidade dos que reclamam o mérito de dar-lhe o curso, não cabendo competir com ele o leito em que há de fluir, cabendo menos ainda a cada um correr contra a corrente, ai daquele, dizia o pai, que tenta deter com as mãos seu movimento: será consumido pelas águas (…)

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Relendo Raduan Nassar

Um copo de cólera – trecho

(…) eu estava dentro de mim, precisava naquele instante é duma escora, precisava mais do que nunca – pra atuar – dos gritos secundários duma atriz, e fique bem claro que não queria balidos de platéia, longe disso, tinha a lúcida consciência então de que só queria meu berro tresmalhado, e ela nem tinha tanto a ver com tudo isso (concordo que é confuso, mas era assim), eu estava dentro de mim, eu já disse (e que tumulto!), estava era às voltas c’o imbróglio, co’as cólicas, co’as contorções terríveis duma virulenta congestão, co’as coisas fermentadas na panela do meu estômago, as coisas todas que existiam fora e minhas formigas pouco a pouco carregaram, e elas eram ótimas carregadeiras as filhas-da-puta, isso elas eram excelentes, e as malditas insetas me tinham entrado por tudo quanto era olheiro, pela vista, pelas narinas, pelas orelhas, pelo buraco das olheiras especialmente! e alguém tinha que pagar, alguém sempre tem que pagar queira ou não, era esse um dos axiomas da vida, era esse o suporte espontâneo da cólera (quando não fosse o melhor alívio da culpa) (…)

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Visitantes Poéticos

Pedro Lobato Pinto de Moura

ah! cão
que sabe na ponta da língua
o gosto desta ferida

de noite no raro sonho
pode ser que ele desça de Sirius
e sussurre:

te lambo

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Cantares – XXXVIII

Hilda Hilst

Toma-me ao menos
Na tua vigília.
Nos entressonhos.
Que eu faça parte
Das dores empoçadas
De um estendido de outono

Do estar ali e largar-se
Da tua vida.

Toma-me
Porque me agrada
Meu ser cativo do teu sono.
Corporifica
Boca e malícia.
Tatos.
Me importa mais
O que a ausência traz
E a boca não explica.

Toma-me anônima
Se quiseres. Eu outra
Ou fictícia. Até rapaz.
É sempre a mim que tomas.
Tanto faz.

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Além alma (uma grama depois)

Paulo Leminski

Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
que acaba de enloquecer.
Pra que é que eu quero quem chora
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?

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I told you, forever

I love you, forever
I told you, I love you
I love you, forever
I told you, forever
You never, you never
You told me forever

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Canto de amor e de partida

Hilda Hilst

Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus.
Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos
Porque me fiz tanto de ressentimentos
Que o melhor é partir. E te mandar escritos.

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Visitantes poéticos

renata:

isso e aquilo são, porém,
a forma mais audaz de ser ninguém.

 

romério

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Do desejo – VI

Hilda Hilst

O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor dobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.

O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome.

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Para o Zé

Adélia Prado

Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.

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Prometeu, teve que cumprir

Romério Rômulo

uns graus de febre eterna
avulsam meu corpo.
a vida hiberna.
eu, louco.

uns graus de febre eterna,
estados do pulso.
a vida hiberna.
eu, avulso.

a mão firme se enterra
no meu pescoço.
uns graus de febre eterna:
eu, osso.



renata:
a culpa é sua que veio me pressionar.
um beijooooooooo.
romério

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Insônia

Álvaro de Campos

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.     Read the rest of this entry »

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Una mujer no sabe mirar. Sólo ve sus sueños.

Julio Cortázar

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Grande desejo

Adélia Prado

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.

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so you want to be a writer?

Charles Bukowski

if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.

if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.

don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.

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Do desejo – VI

Hilda Hilst

O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor dobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.

O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome.

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Acróstico

Beatriz Nassif

V iajo à procura de amor

I ndependente de o achar

D ia de namorar à luz do luar

A procura de ti, uma beleza como a flor

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Outras notícias

Hilda Hilst

Se chegarem as gentes, diga que vivo o meu avesso.
Que há um vivaz escarlate
Sobre o peito de antes palidez, e linhos faiscantes
Sobre as magras ancas, e inquietantes cardumes
Sobre os pés. Que a boca não se vê, nem se ouve a palavra

Mas há fonemas sílabas sufixos diagramas
Contornando o meu quarto de fundo sem começo.
Que a mulher parecia adequada numa noite de antes
E amanheceu como se vivesse sob as águas. Crispada.
Flutissonante.

Diga-lhes principalmente
Que há um oco fulgente num todo escancarado.
E um negrume de traço nas paredes de cal
Onde a mulher-avesso se meteu.

Que ela não está neste domingo à tarde, apropriada.
E que tomou algália
E gritou às galinhas que falou com Deus.

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Triângulo

Janaína Amado

Corre a ruiva pelo prado
em busca do verso exato
de linha régua e compasso
Perseguida pelo coelho
alvissareiro interessado
em seu fogo ligeiro seu
círculo vermelho

Aparece o unicórnio
azul como o mar a árvore o mel
Observa a cena, enamorado:
nem círculo nem linha mas
triângulo, do qual a minha
crina é cateto principal

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Quadrado

Rafael Coelho

Queria eu ajudar essa ruiva festeira
a achar o tal grande soneto esculpido,
para numa só rima acabar com o gemido
e dizer a ela: tu és a grande arteira!

Afinal, apesar de eu sempre me enfeitar
nesses versos contados (por que não regrados?),
amoleço nas redondilhas a cantar
desse fogo ligeiro de amores alados.

Só quero que me cantes belezas da vida,
me digas pra sair do ovo de coelho tonto,
e, assim, num grito de uma recém-nascida

Me faça ver que também eu, assim de pronto,
posso dizer das palavras as mais garridas
e esquecer que toda linha chega a um ponto.

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Soneto II

Paulo Bonfim

O livro que hoje escrevo foi escrito
Em outro plano estático e diverso,
Sei que morro no fim de cada verso
E renasço no início de outro mito.

Em cada letra tinta de infinito
Há um diálogo mudo que converso
Com nebulosas do meu universo
Onde nasceu a página que dito.

Sei que sou neste instante o que já fui,
E aquilo que recebo agora flui
De um campo superior onde me deito.

Durmo além, nessa plaga que recordo:
Só escrevo neste plano onde hoje acordo,
Aquilo que ainda sonho no outro leito.

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Às vezes me surgem assim

M.S. Dias

Às vezes me surgem assim,
Vigor e ímpeto
Fervendo na química extravagante
Da sopa de sentimentos
Que deflagra sinapses
E ordena condutas.

Violam os sete selos dos meus lábios
Corrompem os meus dedos
E conquistam impunes
O teclado inerte
Derrotando a métrica
-pagãos de toda gramática.

Invadem o cristal da tela
E agora são luzes e sombras
Codificando sonhos e sons
Em imprecisos fonemas
- Criaturas anárquicas
Zombando do meu zelo.

Ah, poema sem poeta,
Filho sem acalanto!
Da virtualidade orgânica
Partiste sem respeitar
Os meus medos, mangando
Da minha autocrítica.

Pois te condeno à virtualidade eletrônica:
Serás prisioneiro dos chips,
No terrível labirinto dos circuitos
(Teseu sem Ariádne)
longe da ribalta do papel
em que exporias meus limites.

Nego-te teu destino
Para que a tua ausência
Encubra os enredos
Enovelados da minha alma.
Assim, escondidos, viveremos juntos
A poesia e o quase-poeta…

…até que a arte nos separe.

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poeta e noite

Romério Rômulo

fênix:
a partir das insônias, fiz.

poetas são malditos e no espanto
de revelar limites se martelam.
há um poeta assim, em cada canto,
no redemunho do espanto que revelam.

poetas são em pétalas, cruéis
com tintas destiladas pela mão.
os dedos se arrebentam em pincéis
drogados pela cor da solidão.

tão bêbados de tudo, estes poetas
de ansiedade e insônia vão tomados.
ao percorrer as noites pelas frestas
poetas são destroços renegados.

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Quase dormida e insone pela casa

Hilda Hilst

Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no portico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo

Também isso te devo.

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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  • Pronto. @bibinassif despachada. E eu me comportei linda e dignamente e nem chorei (não na frente dela pelo menos)...1 day ago
  • A piveta ansiosa @bibinassif finalmente no quase embarque. http://twitpic.com/plyoa...1 day ago
  • para matar a saudade daquele tempo: joy division. ian curtis, muito, mas muito antes e melhor que seus "herdeiros" new orders......2 days ago
  • why is it something so good/ just can't function no more? love. love will tear us apart again/ love, love will tear us apart again...2 days ago
  • do you cry out in your sleep?/ all my failings exposed.../gets a taste in my mouth/as desperation takes hold/...2 days ago


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