Fênix em Verso e Prosa

marginal

eu vejo as cores desse dia ensolarado e quente. as cores e as pessoas. vejo as cores e as pessoas misturadas a elas, indistintas. elas fingem que não me vêem, eu finjo que acredito e ninguém ousa reconhecer em voz alta a minha estranheza.

essa estranheza que não é bela, é a unicidade do ímpar, do desencaixado. eu e minha brancura transcendental no meio de todos, marrons e ressequidos, os filhos do sol, ao redor da piscina azul reluzente, das pedras de areia escaldada. essas pessoas igualáveis em seu esforço para se imiscuir, para se dissolver na multidão de semelhantes. e então o esforço para se sobressair, então a busca pelo brilho , em terra de cego quem é mais cego é rei?

ah que me distraio e assim evito o âmago do meu desencontro, o coração da minha própria unidade; evito meu coração e meu estado de um – eu olho as pessoas e tudo nelas realça minha imparidade. minha solidão.

enquanto elas se movem em massa uniforme e ocre – eu, aqui desalojada, aqui eu brilho, alvura desconfortável sob meu chapéu de palha e uns óculos vermelhos e também vermelhos são meus pensamentos, sabe? vermelho é tudo aquilo que lateja e se esbarra no meu crânio, como se nós dois e nossas lembranças fôssemos vistos através de uma névoa de sangue vivo, pulsante — mas, vivo? vivo? o que de nós dois ainda vive, senão essas lembranças que eu carrego enterradas na minha estranheza?

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impublicáveis

há um turbilhão de palavras que eu escrevo compulsivamente enquanto uns dormem, outros sonham e alguns talvez amem; nessas palavras eu me afogo, elas me distraem da minha dor, do meu próprio sofrimento — este que eu escondo, mas segue me envenenando as entranhas, me azedando o sangue.

escrevo e me escondo, escrevo e fujo.

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Ssssshhhhh…

eu me calei para não gritar. para não gritar bem alto, bem forte, bem doído.

eu me calei para não espantar os vizinhos, não assustar os cachorros. eu calei um urro violento.

eu me calei para não berrar teu nome.

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Falta

Tua ausência é um grito que atravessa a noite, rasga paredes, quebra as xícaras.

Tua ausência branca ofusca a madrugada.

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nesta hora tardia

implorei com os olhos para você não me deixar ir, eu não quero ir, se eu for vai ser para sempre, vai ser sem virar para trás. implorei com os olhos velados, talvez? você não viu.

implorei com a respiração entrecortada, com a boca trêmula colada à sua. implorei na sua cama, implorei com você em mim, implorei rezando, implorei gemendo, implorei gozando. implorei silenciosamente, talvez? você não ouviu.

cerrei as pálpebras, retraí os braços: você vai andar por este mundo separado de mim; amanhã a vida continuará, alheia a nós, às nossas lágrimas, à nossa perda! implorei de corpo retesado, unhas recolhidas, implorei de mãos crispadas e carícias contidas. implorei de entranhas retorcidas, implorei de veias rasgadas.

você não sentiu.

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estranhos prazeres

eu não sei viver sem este comichão nos dedos, este sangue agitado, essa febre, esse rubor! sem sonhar em silêncio, sem cantar bem alto dentro da minha cabeça, sem sorrir sozinha, sem o sussurro dos meus personagens: os mortos, os vivos, os perenes.

viver me dói e me frustra, viver me limita. ainda assim, é vida, ainda assim é mais, ainda sim eu inspiro e abro os braços: ainda assim é mais!

mesmo quando eu me calo — e tantas vezes eu me calo; e tantas vezes fico quase inerte no frescor e na quietude da minha casa. ah, mas alguma coisa pulsa em mim, não, não, tudo pulsa em mim, tudo respira, tudo vive! são prazeres tão ínfimos, quase ridículos, como eu me deliciar com os azulejos brancos da parede do meu banheiro. e acariciar sua simetria, sua alvura, sentindo com gosto a água quente do chuveiro — isso, isso! isso me delicia.

coisa mais bizarra sentir prazer com azulejos.

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tributáveis

quero esquecer o que sei. desconhecer todo o resto, que é para ter de volta minha sanidade. sendo ignorante e sã, nunca mais chorar. depois, quero sonhar — quero mais!, quero é dormir, quero ter sonho cor de rosa e acordar sorrindo. e te acordar só para contar do meu sonho de mulherzinha cotidiana. e sã.

quero depois ouvir teu sonho, sem susto. quero poder ouvir o que tem na tua cabeça, sem que te cause medo aceitar tua fantasia. sem que te cause espanto me contar teus delírios. ah!, ah!, você não tem delírios, então me conta teus sonhos de machinho cotidiano. e são.

quero tudo para já, para ontem, para a semana passada. quero a semana passada alongada até hoje. até amanhã, até o mês que vem. porque na semana passada, nós sabíamos. e, ainda assim, éramos sãos.

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nem céu nem terra

sei como é, eu sabia como era, eu me lembrei como deve ser.

é começar pela metade, pelo arrepio na pele, por aquele rodopio que embriaga as pernas; eu me enfeito, eu me me perfumo, abro os braços, giro e sorrio, o telefone toca e é você, sorrio mais, arrepio mais, giro mais, vivo mais.

é não ter começo nem fim, nem as lágrimas secas nem os dentes amargos, só isso de estar no meio; é esse atropelo, caminhão desgovernado rasgando o ar parado, é isso de dançar no mormaço como se fosse a primavera.

não, você nem precisa me amar, eu não vou te amar: sem começo, sem fim, tudo pela metade, nós dois no meio de, nós dois imersos em, nós dois…

mais nada.

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bondage

você me beija e me aperta, me beija e me sufoca, você me beija e me amarra, você me beija e me amordaça, eu suspiro, eu me contorço, eu enterro os dedos na sua carne, eu grito: você me beija e me cala.

você me beija e eu gemo, você me dói, você me liberta, você me beija e me cala: porque eu carrego esta verdade indecente, eu carrego estas letras insuportáveis, este grito de arrebentar vidraças, estas frases que salgam os olhos. o que eu carrego nas veias corrói as vísceras.

você me ouve e fica, você escuta e me abraça. você me beija e me cala.

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onisciência

eu sei exatamente o que vai acontecer.

você vai chegar suavemente, como em tantas outras noites. vai chegar com este olhar manso, estas mãos quietas. e vai sentar no meu sofá, implicar com as minhas músicas, reparar no meu sapato, bagunçar o meu cabelo. vai desordenar meu pensamento com estas mesmas mãos quietas, vai me alvoroçar o sangue.

eu vou estar intranquila, eu vou estar urgente e seus olhos, aqueles mansos, queimando junto com minha pele; e não sei das roupas, não sei nada, só sei nossos corpos suados e o barulho da rua. sei da música esquecida no estéreo, sei a sua respiração no meu cabelo. sei que você dorme, sei que é cedo demais, sei que temos todo o tempo do mundo.

e fim.

.
.
.

eu sei exatamente o que vai acontecer.

você vai chegar atrasado, eu vou dar um tapa na sua cara, a mão estalada, a pele ardida. e eu vou te dar um beijo dos infernos. e tudo o mais com aquela fome, com a boca, com a sede, com uma gana dos infernos.

fim.

.
.
.

eu sei exatamente o que vai acontecer.

você não vai chegar.

e é tarde demais.

e fim.

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Inefável

e se um pouco de felicidade e uma flor de esperança escapam pelos meus dedos? e se enquanto escrevo do nosso desencontro, outro encontro quase se anuncia ali na esquina, espia de esguelha, promete em diagonal, engasga um suspiro?

deve ser por isso que — apesar da vida, apesar dos arredores — ah!, um sorrisinho inesperado (e besta) se desenha na minha cara com a ligeireza de um beijo roubado.

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I want the peace and joy in your mind

no sábado, estaremos lá, nós dois. no sábado, vai ser assim: o ar carregado, minha fome, tua raiva, nossa sede.

no sábado, vai ser assim, vou ser teu renfield, tua dona, teu bicho e teu desatino; vou te beijar de olhos abertos, para ver tua pupila incensada, tuas mãos machucando minha carne, teus dentes marcando meu pescoço; teu corpo ardendo em febre até me queimar os lábios, a pele, os ossos.

no domingo, teu ombro vai me dar a paz. aquela que eu preciso para fechar os olhos.

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Sem parar

é, eu pedi a chuva, eu queria que a água jorrasse dos píncaros, em fúria, em desassossego; é, você pediu a chuva, para lavar seu corpo e fixar na sua pele o nosso cheiro; os dias e noites de chuva se estendem e se abraçam, nossa última chuva e depois você vai embora, quando a cortina se abrir e o céu raiar azul, vai ser a sua hora; então a água continua a cair, as pessoas escurecem, o trânsito se embola; mas eu sorrio: é nossa última chuva e enquanto ela durar, ficamos de braços e pernas misturados.

e se um dia eu rezar de novo, vai ser para são pedro.

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The End.

Mantenha as perguntas simples, eu rezei baixinho. Simples — assim eu não preciso mentir. Assim, você não se espanta com a minha estranheza, assim você não vai embora.

(Houve um tempo em que você amava a minha estranheza.)

Você não perguntou nada e eu suspirei, aliviada. Assim você não vai embora.

E eu não percebi que aquela angústia não era medo da solidão: era ela mesma, solidão antiga, companheira, instalada.

Não, eu nem percebi que você já tinha ido embora.

(Houve um tempo em que você amava a minha estranheza.)

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Quieta?

Sim.
Porque se eu abrir a boca, você vai se incendiar.

Com o fogo do inferno.

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Re nata

Eu não sou atual, não uso RSS, não acompanho notícias, não entro em debate: eu sinto. Eu sinto! Eu giro meu dial, meus cabelos eriçados são antenas de cobre, de ouro, de fogo: eu sinto! Mesmo quando eu me calo, mesmo quando você acha que eu só respiro e sobrevivo, eu sinto! E meu pensamento dança em versos, valsas, rimas, aliterações, meu coração rodopia livre, meu pulso ritmado. E você não escuta o sincopado da minha veia, você não sente minha febre: minha carne arde, minha alma anseia, minha língua estala. Em silencio, eu deliro; sem alarde, eu me incendeio e me refaço: fênix rediviva.

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Cachorro louco

Agosto custou a chegar e este era o mês em que tudo se decidiria: eu, você, o cachorro que nós teríamos, um jantar em noite de lua cheia, noite fria de inverno, derretendo em nossa pele. Seríamos nós dois a nos desfazer do signo de inferno, nós dois a reinventar o mês — mês do cachorro novo.

Agosto e nossa rebeldia, agosto com gosto de cereja madura, agosto-doce, a gosto, a gozo. Agosto e a revolução do calendário: em agosto um reencontro, nós dois a celebrar um tempo que nasceu em estigma, nós dois a desafiar a vida; nós dois até sermos quatro: eu, você, o cachorro e o amor improvável.

Neste agosto que custou a chegar, sete foi o número mágico, que se multiplicou sete vezes por dia, em sete dias de espera, sete dias por semana; neste agosto faltou você e o inverno; neste oitavo mês, o calor ardeu como a sua ausência.

Agosto o mês em falta, agosto de espera, agosto árido, agosto-agonia, agosto para sempre, agosto nunca mais. Agosto foi também março, foi abril, maio e junho, agosto foi julho aglutinado — e setembro que se emenda: este é o ano de agosto, este é o ano do não.

E amarelou-se no armário o vestido de cetim e veludo que eu usaria para o encontrar, amarelaram meus dedos e meus olhos e minha esperança — e agosto não foi senão sinal de desgosto pintado de ocre em meu calendário.

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Achados e perdidos

E se eu me perder e me deixar naufragar? E se eu me deixar dissolver na correnteza?

Mas, se me perco no deserto — se não tenho mar!,  só o ar quente e parado, que estala nos ouvidos, me entala na garganta o suspiro.

Mas, se me perco e é só o mormaço do dia estéril.

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Pêndulo

quando você se levanta, respiro fundo e aprisiono seu cheiro, eu deito no seu lado da cama, para roubar seu calor que restou no lençol; quando você se levanta, e você sempre vai antes de mim, deixa para trás despojos e amor efêmero.

e leva consigo uns graus da minha febre eterna, que é para lhe revirar o corpo, para perturbar seu trajeto em fome, em desejo, em loucura. eu deixo ir na sua pele minha boca, minha língua e minhas pernas – que é para garantir a sua volta.

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Tchau

Saí para o pátio escuro, porque ouvi a garoa leve lamber a janela, saí ali ao lado da bananeira, meus dedos febris marcando o vidro frio da porta que se abre em assobio; e, ali, ao lado da bananeira que tanto me conforta, levantei o queixo e deixei a chuva gelada cair sobre meu rosto inflamado, deixei a chuva lavar meus olhos desertos, minha boca flácida. Ali, eu me despedi da bananeira, dos sonhos derramados, dos esforços vãos. Não, eu não vou em paz, eu vou com pressa, eu vou arrastando uns despojos da tormenta, eu vou atribulada, o sangue esparramando ansiedade pelos meus músculos. Não, você não entende o que eu escrevo; não, eu não escrevo para você: nem para mim. Eu escrevo para desafogar, eu escrevo quando a noite silente cala a chuva gelada e minha face arde. Isso é uma despedida e despedidas não fazem sentido. Nunca. E depois outra vida recomeça, a bananeira, as madrugadas insones, outras despedidas — tudo se aplaina, as cores esmaecidas pelo tempo: memória longínqua. Depois, o sentido pouco importa, o sentido se reverte, se inverte, se desmancha. E, talvez, o novo dia que amanhece venha colorir de esperança as horas. E depois…

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Véspera

sei que parece silêncio, mas é rebuliço, entranhas retorcidas; é meu sangue azedo, coagulado, é minha veia contraída, pronta para o grito – mesmo quando minha boca se estreita; parece sereno este ar parado, parece calmaria, mas veja!, é elétrico, carregado, anunciado de tempestade; sei que parece pouco, que parece nada, mas é meu corpo do avesso, é meu corpo incendiado, meu corpo em cinzas, é meu luto – mesmo quando meus dedos se calam, mesmo na noite seca e muda -, é o prenúncio e o fim, é minha morte e meu renascimento.

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Hey babe,

Sinto saudade.

Arrumei um vidrinho de Rivotril – hoje estou decidida: vou dormir.

Com a boca embriagada pelas gotas mágicas, acridoces e quentes, as gotas da paz, é assim semi adormecida que te escrevo. É assim vulnerável que te procuro. Mesmo sabendo que talvez não ouças. Mesmo sabendo que, ouvindo, não entenderias.

Porque preciso que a vida faça algum sentido — não precisa ter coerência; não!, não é este sentido banal, ordinário, não: acho que deveria ser caótico, talvez uma ventania inesperada; qualquer coisa que me surpreenda, qualquer coisa que me desperte dessa insônia entorpecente.

Meu eu razoável se mistura aos meus anseios: não sei quem fala, talvez todas as minhas personagens, depois eu, então todos os quereres.

Talvez a balbúrdia da feira de vozes seja minha palavra mais verdadeira.

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Insônia, outra.

tem isso de estar sozinha na chuva de verão, na chuva contínua, na falta continuada, na continuação da saudade. tem isso de ficar em silêncio até imaginar que dedos rasgam a parede, vermelho tingindo o branco, o gesso, o teto. também tem aqueles momentos ocupados, dias populados, que é para esquecer de todo o resto, da noite insone, dos pensamentos atormentados, da cama vazia, dos braços em arco — vazios. depois, tem a carta que não escrevo, um livro que nunca acaba, aquele filme interrompido no meio da cena de amor, tem a música que me assombra, que se repete, hipnótica, em minha cabeça, no silêncio das madrugadas em que todos dormem, quando meus olhos pairam, espectrais, dois buracos cavados no meu rosto pálido. então, tem aquela hora em que eu quase consigo dormir, mas desperto de repente porque ouço você chegar, a chave na porta, seus passos… e então abro os olhos e é nada, é só eu sozinha na chuva de verão, na casa vazia, eu com os braços de abraço, à espera.

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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Insônia, aquela.

Se eu fechar os olhos, o desassossego vai se elevar da terra, dos meus pés — e me levar em ventania, em vórtice.

Em furacão.

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Receita

Deus (?) ajuntou um novelo vermelho de ansiedade, mais umas moléculas de água, pendurou umas proteínas, adicionou um par de ácidos graxos. Parou, coçou o queixo, franziu o cenho, decidiu inovar: enfiou no topo um tufo de cabelos de milho. E, como sina ou bênção?, decidiu que minha essência seria a do renascimento.

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  • Pronto. @bibinassif despachada. E eu me comportei linda e dignamente e nem chorei (não na frente dela pelo menos)...1 day ago
  • A piveta ansiosa @bibinassif finalmente no quase embarque. http://twitpic.com/plyoa...1 day ago
  • para matar a saudade daquele tempo: joy division. ian curtis, muito, mas muito antes e melhor que seus "herdeiros" new orders......2 days ago
  • why is it something so good/ just can't function no more? love. love will tear us apart again/ love, love will tear us apart again...2 days ago
  • do you cry out in your sleep?/ all my failings exposed.../gets a taste in my mouth/as desperation takes hold/...2 days ago


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