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Posts com Tag ‘Hilda Hilst’

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Hilda Hilst Promete-me que ficarás Até que a madrugada te surpreenda. Ainda que não seja de abril Esta noite que desce. Ainda que não haja estrela e esperança Neste amor que amanhece.

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Peixinho

Bibi cantando Zeca Baleiro e Hilda Hilst

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Memória – 2

Hilda Hilst Há certos rios que é preciso rever. Por isso, volto, Ricardo, àquelas margens Onde na sombra de um verde descansavaa E um canteiro de limo sob os nossos pés Adiante desaguava. Volto, seguindo a viagem De mim mesma e aos poucos convergindo Oculta, vária, Até fechar um círculo e entender Essa asa de [...]

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Mais luzente quando não estás

De Zeca Baleiro e Hilda Hilst, ouça Canção VI, com Ná Ozetti Três luas, Dionísio, não te vejo. Tres luas percorro a Casa, a minha. E entre o pátio e a figueira Converso e passeio com meus cães. E fingindo altivez digo à minha estrela Essa que é inteira prata, dez mil sóis Sirius pressaga [...]

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Cantares – XXXVIII

Hilda Hilst Toma-me ao menos Na tua vigília. Nos entressonhos. Que eu faça parte Das dores empoçadas De um estendido de outono Do estar ali e largar-se Da tua vida. Toma-me Porque me agrada Meu ser cativo do teu sono. Corporifica Boca e malícia. Tatos. Me importa mais O que a ausência traz E a [...]

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Canto de amor e de partida

Hilda Hilst Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus. Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos Porque me fiz tanto de ressentimentos Que o melhor é partir. E te mandar escritos.

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Do desejo – VI

Hilda Hilst O que é a carne? O que é esse Isso Que recobre o osso Este novelo liso e convulso Esta desordem de prazer e atrito Este caos de dor dobre o pastoso. A carne. Não sei este Isso. O que é o osso? Este viço luzente Desejoso de envoltório e terra. Luzidio rosto. [...]

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Do desejo – VI

Hilda Hilst O que é a carne? O que é esse Isso Que recobre o osso Este novelo liso e convulso Esta desordem de prazer e atrito Este caos de dor dobre o pastoso. A carne. Não sei este Isso. O que é o osso? Este viço luzente Desejoso de envoltório e terra. Luzidio rosto. [...]

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Quase dormida e insone pela casa

Hilda Hilst Essa lua enlutada, esse desassossego A convulsão de dentro, ilharga Dentro da solidão, corpo morrendo Tudo isso te devo. E eram tão vastas As coisas planejadas, navios, Muralhas de marfim, palavras largas Consentimento sempre. E seria dezembro. Um cavalo de jade sob as águas Dupla transparência, fio suspenso Todas essas coisas na ponta [...]

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Cantares – XIV

Hilda Hilst Como se desenhados Tu E o de dentro da casa. Entro Como se entrasse No papel adentro E sem ser vista Rasgo Alguns véus e fibras Sem ser amada Pertenço. Que sobreviva O fino traço da tua presença. Aroma. Altura. E lacerada eu mesma Que jamais se perceba Umas gotas de sangue na [...]

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Hilda Hilst E só me veja No não merecimento das conquistas. De pé. Nas plataformas, nas escadas Ou através de umas janelas baças: Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias. E só me veja no não merecimento e interdita: Papéis, valises, tomos, sobretudos Eu-alguém travestida de luto. (E um olhar de púrpura e desgosto, [...]

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Canto segundo

Se te anuncio lágrimas e haveres É para te encantares do meu canto, Um tempo me guardei Tempo de dor aquele Onde o amor foi mar de muitas águas. Se te anuncio ainda É porque sempre em pedra fui talhada. Em sal me consumi. E perecível Tem sido a minha form: Estes dedos lunares, estas [...]

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Onde a luz se faz dor

Vigio Esta sonoridade dos avessos. Que se desfaça o fascínio do poema Que eu seja Esquecimento E emudeça. Hilda Hilst

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Garganta aguda, madrugada larga

Aos amantes é lícito a voz desvanecida. Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido: Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora, Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vês Que sobre o muro dos mortos a garganta do mundo Ronda escurecida? Não é tempo, senhora. Ave, moinho e vento Num vórtice [...]

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Canto quinto

Eu nem soube falar do amor nos homens. (Amor feito de júbilo aparente) Nem soube replantar no que era terra Uma mesma semente. Tive no peito o mantra mais secreto E não pude vibrá-lo, alento, lira Corda divina no seu veio certo. Elaborei em vão todos meus sonhos. E súbito me tomas e me ordenas [...]

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Para tua fome

Eu teria colocado meu coração Entre os ciprestes e o cedro E tu o encontrarias Na tua ronda de luta e incoesão: A ronda que persegues. Para tua sede As nascentes da infância: Um molhado de fadas e sorvetes. Abriria em mim mesma Uma nova ferida Para tua vida. Hilda Hilst

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Palavra viva

As barcas afundadas. Cintilantes Sob o rio. E é assim o poema. Cintilante E obscura barca ardendo sob as águas. Palavras eu as fiz nascer Dentro de tua garganta. Úmidas algumas, de transparente raiz: Um molhado de línguas e de dentes. Outras de geometria. Finas, angulosas Como são as tuas Quando falam de poetas, de [...]

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Que não se leve a sério este poema Porque não fala do amor, fala da pena. E nele se percebe o meu cansaço Restos de um mar antigo e de sargaço. Difícil dizer amor quando se ama E na memória aprisionar o instante. Difícil tirar os olhos de uma chama E de repente sabê-los na [...]

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Antiga de carícias

De delicadezas me construo. Trabalho umas rendas Uma casa de seda para uns olhos duros. Pudesse livrar-me da maior espiral Que me circunda e onde sem querer me reconstruo! Livrar-me de todo olhar que, quando espreita, sofre O grande desconforto de ver além dos outros. Tenho tido esse olhar. E uma treva de dor Perpetuamente. [...]

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Aliança

Escreveste meu nome Sobre a água? A fogo, na alma Desenhei o teu. Grafismo iluminado Imantado e novo Teu nome e o meu. Novo Porque nunca se viu Nome tão pertencido Antigo porque há milênios Se entrelaçaram justos No infinito E raro Porque tingido de um mosaico vivo De danação e amor. Teu nome. Irmão [...]

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Por inteiro

Deu-me o amor este dom: O de dizer em poesia. Poeta e amante é o que sou E só quem ama é que sabe Dizer além da verdade E da vida à fantasia. E não dá vida o amor? E não empresta beleza Àquele que se quer bem? Que não vos cause surpresa O perceber [...]

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A medida do imenso

Sabes ainda meu nome? Fome. De mim na tua vida. Hilda Hilst

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A idéia, essa ilha escondida

A idéia, Túlio, foi se fazendo Em mim. Era alta a lua, e aberta A porta escura da minha casa vazia. Te pensei. E na minha alma fez-se Um gosto licoroso, de mordedura Mais doce do que a própria ventura De existir E te pensando foi subindo a lua E vivendo meu instante fui te [...]

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Meu ser de miséria

Com meus olhos de cão paro diante do mar. Trêmulo e doente. Arcado, magro, farejo um peixe entre madeiras. Espinha. Cauda. Olho o mar mas não lhe sei o nome. Fico parado em pé, torto, e o que sinto também não tem nome. Sinto meu corpo de cão. Não sei o mundo nem o mar [...]

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Meu medo, meu terror, é se disseres: Teu verso é raro, mas inoportuno. Como se um punhado de cerejas A ti fosse dado Logo depois de haveres engolido Um punhado maior de framboesas. E dirias que sim, que tu me lembras Mas que a lembrança das coisas, das amigas É cotidiana em ti. Que não [...]

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